- Eli Lilly aposta em distúrbios do sono ao investir US$ 7,8 bilhões para comprar a Centessa, visando tratamentos de narcolepsia e outras condições relacionadas.
- A Centessa desenvolve medicamentos que atuam como agonistas do receptor de orexina, buscando replicar o neuropeptídeo ausente em pacientes com narcolepsia.
- A abordagem visa reduzir sintomas da narcolepsia e pode ter uso em uma gama ampla de distúrbios da vigília, além de potencial impacto em apneia do sono.
- A operação coloca a Lilly em competição com Takeda e Alkermes; a Takeda já tem um candidato avançado, oveporexton, em revisão prioritária pela FDA.
- Especialistas apontam que, se bem-sucedidos, os medicamentos de orexina podem abrir oportunidades em outros distúrbios neurológicos e psiquiátricos, além de possíveis ganhos cognitivos.
O Zepbound, medicamento da Eli Lilly, tem ajudado no combate à obesidade. Agora a empresa mira distúrbios do sono, com foco em narcolepsia e sonolência diurna.
Em uma operação avaliada em US$ 7,8 bilhões, a Lilly vai adquirir a Centessa, biotecnologia que desenvolve tratamentos para manter as pessoas acordadas e alertas durante o dia.
A operação representa uma aposta relevante da Lilly em uma nova classe terapêutica. Os programas da Centessa buscam agonistas do receptor de orexina, moléculas que simulam o neuropeptídeo orexina.
A pesquisa inicial mostra que pacientes com déficit de orexina apresentam melhora na vigília e em sintomas, com efeitos colaterais ainda gerenciáveis nos testes.
A transação coloca a Lilly em disputa com Takeda e Alkermes, que também avançam no desenvolvimento de medicamentos para distúrbios do sono.
Competição e estágio clínico
A Takeda lidera o parque, com o oveporexton em revisão prioritária pela FDA para narcolepsia tipo 1, com decisão prevista para o fim do ano. A farmacêutica estima vendas globais entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões.
O principal medicamento da Centessa está em estágio intermediário, com efeitos como aumento da necesidad de urinar, insônia e tontura entre os mais comuns. A classe promissora pode ampliar usos além da narcolepsia.
Analistas avaliam que a entrada da Lilly preenche uma lacuna no portfólio de sono da empresa, fortalecendo a posição em tratamentos de vigília de última geração.
Pesquisas indicam que medicamentos de orexina podem ter aplicações em distúrbios neurológicos e psiquiátricos, ampliando o potencial de mercado caso os ensaios avancem.
Perspectivas e contextos
Especialistas ressaltam que os fármacos podem, com sucesso, beneficiar pacientes com apneia do sono e doenças neurodegenerativas, ampliando o impacto clínico.
Cientistas destacam o avanço histórico na compreensão da narcolepsia, que envolve déficit de orexina e vigília diurna, abrindo caminhos para novas terapias.
Em estudo publicado pela Jama Neurology, a Takeda reportou ganhos na atenção e memória entre pacientes com narcolepsia, além da vigília, em oito semanas.
A entrada da Lilly no segmento mantém o tom de expansão da farmacêutica em condições do sistema nervoso central, com foco em tratamentos de alto impacto clínico e econômico.
Essa movimentação ocorre após a Lilly ter adquirido ativos no setor de sono no passado, reforçando uma estratégia de longo prazo em endereçar distúrbios de sono complexos.
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