- Koalas na Austrália enfrentam chlamydiose generalizada; Kangaroo Island abriga a maior população sem a doença, servindo como “trunfo” conservacionista, mas com quadro genético frágil por isolamento.
- Pesquisa em Kangaroo Island busca aumentar a diversidade genética local antes de introduzir animais em outras áreas com baixa incidência de chlamídia.
- A ilha, separada do continente por 13 km, abriga cerca de 1.000 koalas no The Koala Sanctuary, projeto que também visa financiar pesquisas por meio do turismo.
- Cientistas identificaram baixa diversidade genética na população da ilha, com sinais de endogamia e deformidades, destacando a necessidade de “salto genético” para evitar a extinção.
- Plano de longo prazo envolve trazer machos geneticamente saudáveis do continente para acasalamento natural, expandindo a população resistente e livre de chlamídia, com metas de início de repovoamento até 2027.
A ilha de Kangaroo Island pode abrigar a chave para a sobrevivência dos coalas, ao mesmo tempo em que representa um gargalo genético. Pesquisadores da Flinders University conduzem um estudo para ampliar a diversidade genética e enfrentar a doença chlamydia, que já devastou populações no continente.
A equipe liderada por Karen Burke Da Silva e Julian Beaman coleta dados de saúde e genética de coalas na ilha, onde a doença ainda não foi registrada. O objetivo é evitar o colapso da espécie por meio de uma resiliência genética que complemente a contenção da transmissão da doença.
A ilha fica a 13 km da costa sul da Austrália e abriga a maior população de coalas livre de chlamydia do mundo, estimada em milhares de indivíduos. No entanto, o isolamento histórico aumentou a vulnerabilidade genética deles.
Ação de restauração genética
Os cientistas avaliam a baixa variabilidade genética de coalas de Kangaroo Island, evidenciada por estudos de sequenciamento de DNA. Entre os achados, há relatos de deformidades e sinais de endogamia, reforçando a necessidade de resgatar diversidade genética.
A estratégia envolve introduzir machos geneticamente saudáveis do continente para acasalar com fêmeas locais, favorecendo a diversidade sem disseminar a doença. A aproximação ocorre de forma controlada, com regiões de floresta delimitadas para interação natural dos animais.
A meta é, inicialmente, estabilizar a população local e depois permitir a introdução de coalas geneticamente saudáveis em áreas com baixa incidência de chlamydia no continente. O governo de Nova Gales do Sul já demonstrou interesse em futuras reintroduções.
Sobre o habitat e o futuro
A iniciativa depende de manter o habitat protegido, incluindo a área do The Koala Sanctuary, criado para abrigar cerca de 1.000 coalas. As ações contam com apoio de filantropos e deverão sustentar pesquisas e conservação, com abertura ao público prevista para a primavera de 2026.
O trabalho em Kangaroo Island também tem como objetivo preparar a espécie para cenários de mudança climática e perda de habitat. A longo prazo, a equipe pretende iniciar a repovoação gradual do parque Flinders Chase e de regiões da Austrália continental com coalas livres de chlamydia e geneticamente mais resistentes, até 2027.
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