- Em Mendoza, Argentina, o engenheiro Hervé Birnie-Scott desenvolveu um método para produzir um mousseux a 6% de álcool usado como base para o Garden Spritz da Chandon.
- O processo é descrito como natural: o mosto de uva fermenta até 5% de álcool, é fechado o tanque e a fermentação continua até atingir 6%, resultando o gás carbônico sem desalcoolização.
- A técnica não adiciona componentes extras e não manipula aromas, conforme o próprio Birnie-Scott, e não envolve passar do vinho para o mousseux tradicional.
- A produção é limitada pela capacidade de fermentação em tanques fechados, o que restringe a quantidade de uvas tratadas; solução em estudo envolve armazenar moúts frios por até um ano para manter a produção contínua.
- O diretor da Chandon Argentina planeja ampliar gradualmente o investimento em equipamentos à medida que o Garden Spritz cresce, mantendo foco na altitude das vinhas e na economia de água na região de Mendoza.
Descrever a evolução de uma bebida que combina tradição e inovação, com foco em Mendoza, na Argentina. O objetivo é apresentar o que aconteceu, quem está envolvido, quando, onde e por quê, de forma objetiva e factual.
Na região de Mendoza, Argentina, o engenheiro Hervé Birnie-Scott criou um método de vinificação voltado a um espumante de baixo teor alcoólico. O resultado serve de base ao spritz pronto para beber da marca Chandon, do grupo LVMH.
A iniciativa aparece em meio a uma demanda crescente por vinhos com menor graduação alcoólica e por bebidas prontas para consumo. A produção depende de campanhas de produtores e de mudanças no ritmo de colheita, que costuma ocorrer apenas uma vez por ano.
Birnie-Scott atua como diretor técnico da Chandon Argentina. A empresa integra a história da marca Chandon, fundada na década de 1950, com presença marcante na região de Mendoza e expansão para outros mercados ao redor do mundo.
Método e lançamentos
Em 2021, a Chandon lançou Garden Spritz orange, a primeira linha mundial da casa a explorar um spritz pronto. O objetivo é ampliar o alcance da mixologia entre consumidores leigos e aficionados, segundo o presidente da empresa, Arnaud de Saignes.
A linha atual inclui spritz citron-verveine e spritz framboise-cassis-hibiscus. Os aromas são desenvolvidos por enólogos e pela equipe de mixologia da empresa, com foco na naturalidade do produto e parcerias com produtores da Patagônia e dos altos planaltos.
Birnie-Scott descreve o segredo técnico como uma virada: o mousseux de 6% não passa por desalcoolização nem por etapas que alterem os aromas. A fermentação ocorre diretamente a partir do mosto, até chegar a 6% de álcool, mantendo o sabor e a sensação de espuma.
Para chegar a esse resultado, o processo envolve fermentação do jus de uva com leveduras, atingindo 5% de álcool e, em seguida, o fechamento da cuba para permitir a fermentação até 6%. O resfriamento interrompe o processo, resultando no mousseux final com açúcar residual.
Desafios de produção e adaptação
A principal limitação é a capacidade de fermentação em tanques fechados, necessária para absorver todo o líquido de uma safra. Atualmente, apenas parte da colheita pode ser vinificada dessa forma, exigindo planejamento de infraestrutura.
Como solução, a equipe avalia armazenar “mostos” em condições controladas ao longo do ano, para fermentarem quando houver espaço. A estratégia demandaria tanques de aço inoxidável bem isolados e controle de temperatura constante.
Birnie-Scott soma quase três décadas atuando na viticultura de Mendoza, inclusive em propriedades da Chandon e Terrazas de los Andes. Além de inovação em vinhedos, ele destaca a elevação das plantações para enfrentar o aquecimento global.
Outra frente de adaptação envolve irrigação. A região, historicamente dependente de poços, reduziu o consumo de água em cerca de 50% nos últimos 15 anos, com técnicas israelenses de irrigação mais precisas.
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