- Estudo da Universidade Flinders, na Austrália, publicado no European Respiratory Journal, indica que noites quentes podem aumentar a apneia obstrutiva do sono.
- A cada grau Celsius adicional de temperatura, a prevalência da apneia cresce 1,12%.
- Análise envolveu 67.558 adultos de 17 países europeus, entre 2020 e 2024, com avaliação de episódios por sensor no colchão.
- Ondas de calor foram definidas como períodos de pelo menos 3 noites consecutivas com temperatura média acima das máximas históricas.
- Recomendações incluem manter o quarto com temperatura adequada e usar o CPAP; o estudo é observacional e não estabelece causalidade.
Noites de calor intenso podem aumentar a frequência da apneia obstrutiva do sono. O estudo, realizado pela Universidade Flinders, na Austrália, analisou dados de 67.558 adultos de 17 países europeus entre 2020 e 2024 e foi publicado no European Respiratory Journal. Os pesquisadores acompanharam episódios de apneia por meio de sensores no colchão.
Foram definidas ondas de calor como períodos de pelo menos 3 noites seguidas com temperatura média acima de máximas históricas. O objetivo foi investigar a relação entre temperaturas elevadas e a gravidade do distúrbio. O trabalho destaca a importância de entender impactos climáticos na saúde do sono.
A cada grau de aumento na temperatura, a prevalência de apneia subiu em 1,12%. A pesquisa alerta para o possível maior peso global da doença diante do aquecimento. Estima-se impactos individuais e econômicos decorrentes dessa tendência.
Mecanismos e Riscos
Ambientes muito quentes dificultam a dissipação de calor, fragmentam o sono e elevam despertares. Essa fragmentação pode prejudicar a respiração e favorecer a apneia. Também pode haver resposta inflamatória ao estresse térmico.
Pacientes com doença moderada a grave, idosos e pessoas com comorbidades cardiovasculares apresentam maior vulnerabilidade. O estudo recomenda manter o quarto com temperatura adequada e seguir o uso do CPAP quando indicado.
Implicações para pacientes e prática clínica
Por ser observacional, o estudo não estabelece causalidade. Fatores como uso de ar-condicionado, ventilação e outras doenças não foram avaliados. A pesquisa reforça a necessidade de estratégias de manejo do sono em contextos de altas temperaturas.
O material ressalta que o tema deve ser considerado no cuidado de pacientes com apneia, especialmente em regiões sujeitas a ondas de calor. A orientação é de monitoramento de sintomas e adesão a terapias previstas pelo médico.
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