- Estudo da Universidade Federal do Ceará, realizado na Santa Casa de Misericórdia de Sobral, acompanhou 60 recém-nascidos em quatro intervenções diferentes por 15 dias.
- Prematuros que dormiram em rede ganharam, em média, 360 g, versus 305 g no grupo de controle; hidroterapia sozinha resultou em 346 g.
- O grupo que combinou rede e hidroterapia obteve o maior ganho de peso, com média de 616 g, ou seja, o dobro do grupo sem intervenção.
- A hipótese é que o relaxamento proporcionado pela rede simula características do ambiente intrauterino, contribuindo para o ganho de peso e o desenvolvimento.
- Profissionais afirmam que a estratégia é complementar ao método canguru e deve permanecer restrita a ambientes hospitalares com monitoramento constante.
Um estudo da UFC (Universidade Federal do Ceará) aponta que bebês prematuros em UTIs neonatais que dormem em rede apresentaram ganho de peso superior a 360 g em 15 dias. A pesquisa ocorreu na Santa Casa de Sobral, no Ceará.
Os 60 recém-nascidos foram divididos em quatro grupos com intervenções distintas: posicionamento terapêutico em rede; hidroterapia diária; combinação de rede com hidroterapia; e um grupo controle que recebeu apenas os cuidados usuais. Os grupos foram comparáveis em idade gestacional e peso.
Os resultados mostram ganho médio de 360 g no grupo que dormiu em rede, enquanto o grupo com apenas hidroterapia ganhou 346 g e o grupo controle, 305 g. A combinação de rede e hidroterapia atingiu 616 g, o maior aumento.
Metodologia e principais conclusões
O formato côncavo da rede e o tecido de algodão ajudam a manter o bebê aquecido, favorecendo o relaxamento, que pode influenciar o ganho de peso. O protocolo incluiu 2 h diárias de posicionamento em rede, intercaladas com atividades de cuidado da equipe.
A hipótese é de que o relaxamento induzido pela rede replica características do ambiente intrauterino, contribuindo para ganho de peso e desenvolvimento. A homogeneidade entre os grupos reforça a ligação entre intervenções e resultados.
A pesquisadora pediatra responsável ressalta que a rede pode ser usada como complemento, não substituindo o método canguru. A prática foi realizada apenas em ambientes hospitalares com monitorização rigorosa.
Implicações e próximos passos
A pesquisa enfatiza a importância de monitoramento constante para evitar risco de posicionamento inadequado ou obstrução respiratória. A rede está sujeita a uso restrito em UTIs neonatais, especialmente fora do hospital.
Estão previstos novos estudos para avaliar períodos mais longos de uso e efeitos sobre dor, estresse e desenvolvimento. Caso os resultados se confirmem, a prática pode ganhar adesão em UTIs neonatais com custos baixos.
A Agência Einstein coopera na divulgação inicial dos achados. As autoridades de saúde destacam a relevância de estratégias que promovam estabilidade clínica e crescimento de prematuros.
Entre na conversa da comunidade