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Viver em ruas com mais árvores reduz risco cardiovascular

Ruas com maior cobertura de árvores associam-se à redução de quatro por cento no risco cardiovascular; outras vegetações não apresentam o mesmo efeito

Morar em áreas urbanas com maior presença de árvores está ligado a uma redução de 4% no risco de doenças cardiovasculares
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  • Estudo analisou 350 milhões de imagens de rua, em torno da residência de cerca de 89 mil mulheres, ao longo de quase vinte anos.
  • Morar em áreas com maior cobertura de copas de árvores está associado a redução de 4% no risco de doenças cardiovasculares.
  • Coberturas vegetais diferentes, como gramados e arbustos, mostram relação oposta, associadas a maior probabilidade de problemas cardíacos.
  • Autores destacam que a relação não é necessariamente de causa e efeito; fatores como mobilidade, uso de pesticidas e desenho urbano podem influenciar.
  • Árvores podem favorecer a saúde cardiovascular indiretamente via menos poluição, menos calor urbano, menos ruído, além de estimular atividade física e convivência social; a paisagem natural também entra na percepção de bem-estar, mas não substitui hábitos saudáveis.

Viver em áreas urbanas com maior cobertura arbórea foi associado a uma redução de 4% no risco de doenças cardiovasculares. Em contrapartida, regiões com gramados, arbustos e moitas apresentaram maior probabilidade de problemas cardíacos. Pesquisa publicada em janeiro na Environmental Epidemiology.

A equipe envolveu pesquisadores de centros dos Estados Unidos e da Europa. Foram analisadas 350 milhões de imagens de ruas ao redor da residência de aproximadamente 89 mil mulheres, ao longo de quase duas décadas. Diferentemente de estudos anteriores, o estudo distinguishou tipos específicos de vegetação visível.

Segundo os autores, a associação entre árvores e saúde cardíaca não implica causalidade. Não estão disponíveis todas as características das imagens de street view, o que pode influenciar os resultados. “Pode depender de onde e como o verde está inserido”, afirma Lis Leão, líder do grupo e-Natureza.

Metodologia e fatores interpretativos

O estudo sugere que outros aspectos do entorno podem atuar indiretamente na saúde. Bairros com mais gramados podem exigir mais uso de carro, reduzindo caminhadas e incentivando hábitos sedentários. Variáveis como pesticidas e desenho urbano não foram medidas diretamente.

Além disso, árvores podem beneficiar a saúde por reduzir poluição do ar, elevar o conforto térmico e diminuir ruídos. A prática de atividade física e a convivência social também ganham com áreas arborizadas, conforme indicam as hipóteses apresentadas pela equipe.

Implicações para políticas públicas

Os pesquisadores destacam que, do ponto de vista psicofisiológico, ambientes naturais modulam o sistema nervoso autônomo, associando-se a menor ativação do sistema nervoso simpático. A partir de evidências, cidades podem considerar estratégias de maior arborização como promoção da saúde pública.

A equipe reforça que, para uma saúde ótima, não basta a natureza: alimentação balanceada, atividade física regular, sono adequado e acompanhamento médico também são essenciais. A relação com a natureza é apresentada como ferramenta complementar de saúde.

Considerações finais e próximos passos

Os autores apontam a necessidade de mais estudos para entender quais características específicas do verde sustentam os efeitos observados. Novas pesquisas devem investigar como combinar verde urbano, mobilidade e desenho de bairros para ampliar benefícios à saúde cardiovascular.

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