- O espaço fica em Yerevan, capitál da Armênia, em antiga mina de sal a 235 metros de profundidade, dedicado à speleoterapia.
- O tratamento não usa medicamentos; o ar nas cavernas é mineralizado, e pacientes realizam atividades como descanso, exercícios e terapia em grupo sob supervisão médica.
- A clínica foi criada em 1987 e integrava o sistema público de saúde; em 2019 o governo interrompeu o financiamento, alegando falta de evidência científica suficiente.
- A retirada de recursos reduziu o número de pacientes e coloca o futuro da unidade em risco, com possibilidade de fechamento.
- O governo tenta privatizar a participação na instituição, na esperança de atrair investidores privados ou turismo médico para manter as atividades.
O centro subterrâneo de bem-estar em Yerevan, na Armênia, passa por tempos de incerteza. O Republican Centre of Speleotherapy funciona em uma antiga mina de sal a 235 metros de profundidade e oferece tratamento respiratório baseado em ar mineral, sem uso de medicamentos. A instituição foi aberta em 1987 e, após décadas ligada ao sistema público de saúde, enfrenta possível fechamento após corte de financiamento estatal.
A prática, conhecida como speleoterapia, utiliza ambientes subterrâneos para expor pacientes a ar estável, sem poluição ou alérgenos. O local recebe pacientes com asma brônquica, doenças alérgicas respiratórias e, em menor escala, alergias cutâneas. O ar ionizado e a temperatura constante são apontados como fatores terapêuticos.
A médica Anush Voskanyan trabalha no centro há quase quatro décadas. Ela aponta que o hospital fica no interior de minas de sal, com atmosfera estável ao longo do ano. Segundo a vocação da instituição, não há variação de temperatura, o que contribui para o monitoramento respiratório dos pacientes.
Um exemplo citado pelo centro envolve um paciente russo, hoje com 63 anos, que visita as cavernas há mais de dez anos para tratar o pior da asma. O visitante afirmou que a terapia havia proporcionado melhora significativa ao longo das visitas, até mesmo antes da pandemia.
A estrutura de atendimento funciona com pacientes acomodados em filas de leitos, sessões coletivas de exercícios e acompanhamento médico constante. De acordo com a clínica, o ambiente subterrâneo reduz a exposição a poluentes, poeira e temperaturas extremas, o que melhora a função pulmonar em alguns casos.
Críticos sustentam que falta evidência científica robusta para confirmar a eficácia da speleoterapia, especialmente em grandes estudos. Defensores defendem que a prática faz parte de tradições de saúde na Europa Oriental e em antigos centros de sanatório.
Diante das restrições orçamentárias, o governo interrompeu o financiamento, provocando queda no fluxo de pacientes. A direção do centro afirma que a instituição está em crise e pode fechar caso o apoio público não seja retomado.
O governo avalia a privatização de participação no espaço para atrair investidores ou turismo médico, como forma de manter as operações. A possibilidade de privatização é apresentada como alternativa para manter o atendimento existente sem depender exclusivamente do orçamento público.
A entidade pública busca ampliar parcerias privadas para sustentar a atividade clínica, mantendo o foco no tratamento de doenças respiratórias. A atenção está voltada a quem já utiliza o serviço, bem como a pacientes que buscam alternativas de tratamento.
Fontes consultadas indicam que a situação atual do centro revela o dilema entre tradição médica e necessidade de comprovação científica sólida. Enquanto o debate sobre eficácia técnica persiste, o futuro da instalação permanece incerto.
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