- Estudo da Universidade Federal de Pelotas com dados de mais de oitenta mil meninas brasileiras aponta que vinte e seis vírgula quatro por cento não receberam nenhuma dose da vacina contra o HPV.
- A pesquisa, baseada em dados de dois mil e dezenove coletados pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, mostra variação estadual: menor índice no Espírito Santo (17,3%) e maior no Rio Grande do Norte (34,2%).
- Não houve diferença nacional significativa relacionada à condição econômica, mas, dentro de estados, a vulnerabilidade econômica pesou: Acre, Amapá, Goiás e Maranhão tiveram menores taxas entre jovens de famílias mais pobres; Bahia e Mato Grosso do Sul tiveram mais não vacinadas entre famílias mais ricas.
- Em relação à escolaridade materna, houve diferentes padrões por estado: em alguns, famílias com menor escolaridade associam-se a menos vacinação; em outros, filhas de mães mais escolarizadas aparecem entre as não vacinadas (exemplos: Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Paraíba).
- Os pesquisadores apontam como fatores a desinformação nas redes sociais e problemas de acesso aos serviços de saúde, defendendo políticas locais e educação confiável para ampliar a adesão à vacina.
Oito em cada 30 adolescentes brasileiras não receberam nenhuma dose da vacina contra HPV, aponta estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A pesquisa analisou dados de 2019 de mais de 80 mil meninas de todo o país.
O trabalho, publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, utiliza dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). Participaram estudantes do 7º ao 12º ano, com idades entre 13 e 18 anos, em escolas públicas e privadas.
Resultados mostram variação regional: Espírito Santo tem a menor parcela de não vacinadas, com 17,3%, enquanto o Rio Grande do Norte registra 34,2%. Estão em jogo fatores como acesso aos serviços de saúde e conscientização sobre a imunização.
Desigualdades socioeconômicas e educacionais
Aproximações por estado revelam que, em Acre, Amapá, Goiás e Maranhão, meninas de famílias em situação econômica mais vulnerável concentram maior incidência de não vacinação. Em Bahia e Mato Grosso do Sul, ocorre o oposto, com maior participação de filhas de mães com maior escolaridade.
O estudo aponta ainda que, em alguns estados, a menor adesão não está ligada apenas à renda, mas a factores como desinformação disseminada por redes sociais e limitações de organização dos serviços de saúde locais. A defesa de políticas públicas alinhadas à realidade regional é enfatizada.
Especialistas consideram que a baixa adesão pode elevar futuros casos de câncer relacionado ao HPV e sobrecarregar o SUS. A pesquisa sugere que, além de ampliar a oferta de doses, é necessária educação de qualidade para ampliar acesso a informações confiáveis.
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