- Em Bayanga, na República Centro-Africana, cresce uma experiência de ecoturismo ligada à conservação de Dzanga-Sangha, destacando a visita a Dzanga Bai e à gorilas da região.
- Em 2025, o parque recebeu cerca de 800 turistas de 20 nacionalidades, com aumento da visita de moradores locais pela primeira vez de forma mais perceptível.
- A receita de visitantes é compartilhada entre comunidades locais, Ministério de Florestas, Ministério do Turismo e o parque, com atividades culturais que retornam diretamente aos moradores.
- Embora haja melhorias, o modelo ainda é limitado e desigual, com empregos suficientes apenas para eco-guias, guardas e famílias locais, e desafios como dificuldades alimentares e infraestrutura precária.
- Autoridades veem estabilidade recente como peça-chave para o desenvolvimento turístico, mas ressaltam que a ecoturismo sozinha não resolve as questões econômicas maiores da região.
Em Bayanga, cidade-base do Parque Nacional Dzanga-Sangha, no sudoeste da República Centro-Africana, uma experiência de ecoturismo ganha espaço. O objetivo é fortalecer a economia local por meio da conservação, turismo e uso sustentável dos recursos naturais. A região fica próxima à fronteira com Camarões e Congo.
Nos últimos anos, o fluxo de visitantes tem aumentado, embora os números permaneçam modestos em escala internacional. A elevação gradual depende de fatores como estabilidade local, segurança e infraestrutura básica para apoiar atividades turísticas.
O parque é famoso pelo Dzanga Bai, claro de elefantes na floresta, onde grandes aglomerados de animais costumam se reunir. Além disso, gorilas da espécie gorilla gorilla gorilla e a densa floresta do Congo Basin atraem turistas e pesquisadores.
A gerência do DSPA, órgão conjunto do governo com o Ministério de Água e Florestas, aponta que a visitação atingiu cerca de 800 turistas em 2025, representando várias nacionalidades, incluindo Alemanha, Rússia, Espanha e EUA. Observa-se também maior interesse doméstico.
Guides, lodges e operadores turísticos locais descrevem mudanças na rotina: passeios na mata ao amanhecer, recepção mais constante de visitantes e guias especializados em interpretar sinais da floresta. O turismo recente tem colaborado para a renda de famílias da região.
Alguns moradores destacam impactos positivos e limitações. Produtores locais relatam ganhos com a presença de turistas, que ajudam no sustento de comunidades como Ba’aka, mas ainda há desafios como necessidades básicas não plenamente atendidas e vulnerabilidade a flutuações sazonais.
Gestores explicam a política de repartição de receitas: 30% para as comunidades locais, 15% para o Ministério de Água e Florestas, 20-25% para o Ministério do Turismo e 35% para o parque. Há também valorização de atividades culturais apoiadas pela visitação.
Apoio de organizações locais e de ONGs é citado por moradores, com relatos de empregos diretos em turismo, acompanhamento de visitantes pela equipe de rastreadores e participação de comunidades na estrutura de serviços. Mesmo assim, a geração de empregos permanece limitada.
Alguns produtores apontam que o turismo ecológico precisa estar vinculad a negócios locais mais amplos, infraestrutura e serviços públicos. O objetivo é evitar dependência exclusiva de atividades turísticas para promover desenvolvimento sustentável.
A presença de autoridades nacionais, como o presidente Faustin-Archange Touadéra, é mencionada como fator de visibilidade para a região. Segundo funcionários, tal visita contribuiu para promover Dzanga-Sangha e aumentar o interesse externo.
Apesar dos avanços, as dificuldades de acesso e a imagem do país seguem como entraves importantes. A localização remota, estradas precárias e riscos de segurança limitam o crescimento contínuo do ecoturismo.
No balanço geral, Dzanga-Sangha é apresentado como um projeto incipiente de ecoturismo, com fauna de alto valor, estabilidade relativa e crescimento lento. O foco permanece em monitoramento, apoio a pequenas empresas locais e ampliação da conscientização.
Para os gestores, o futuro depende de ampliar a participação comunitária e investir em infraestrutura, a fim de transformar o turismo em motor de desenvolvimento equitativo. A análise é de que o modelo atual ainda exige aperfeiçoamentos.
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