- No Parque Nacional Alerce Costero, no sul do Chile, um exemplar milenar de alerce, apelidado de “alerce abuelo”, tem mais de 2.400 anos e é o maior da área.
- Debaixo da casca, há uma comunidade de fungos micorrízicos arbusculares que estabelece parcerias essenciais com as plantas para água e nutrientes.
- Ao todo, sob o alerce abuelo foram detectadas cento e sessenta e um sequências de DNA de fungos únicas para esse árvore, com centenas possivelmente de novas espécies.
- A pesquisa, feita com amostras de 31 alerces de idades diferentes, revela que árvores mais velhas abrigam diversidade fúngica maior do que árvores jovens.
- A conservação enfrenta ameaças como mudanças climáticas, desmatamento ilegal e projetos de estradas; houve histórico de esforços para proteger o bosque, incluindo a suspensão de uma ponte rodoviária que passaria pelo parque.
Um estudo divulgado na Biodiversity and Conservation revelou que o alerce abuelo, uma árvore milenar de Fitzroya cupressoides, abriga uma vasta rede de fungos abaixo do solo. Localizada no Alerce Costero National Park, no sul do Chile, a árvore tem mais de 2.400 anos de idade e mede cerca de 30 metros.
Pesquisadores coletaram amostras de solo sob 31 árvores de diferentes idades durante uma expedição em 2022. A equipe, envolvendo universidades chilenas e instituições de pesquisa, mapeou a diversidade de fungos por meio de barcoding genético.
Entre os achados, foram identificadas 361 sequências de DNA fúngico exclusivas do alerce abuelo, com centenas possivelmente representando espécies novas. A pesquisa reforça a ideia de que árvores antigas hospedam redes micorrízicas mais complexas.
Contexto e descobertas
Camille Truong, micologista da Royal Botanic Gardens Victoria, aponta que a diversidade acima e abaixo do solo está conectada. As redes subterrâneas sustentam plantas, bactérias e insetos, formando um ecossistema completo sob o alerce.
A relação entre tamanho da árvore e diversidade fúngica já era prevista, mas o estudo confirma o padrão para o Hemisfério Sul. Árvores maiores exigem mais nutrientes, dependendo das mucorrizas para o desenvolvimento.
Importância ecológica
Especialistas destacam que árvores antigas atuam como “upas” de biodiversidade e não podem ser substituídas por novos plantios. A preservação de alerces velhos é apresentada como estratégica para manter redes ecológicas locais.
César Marín, ecologista da Santo Tomás, ressalta que a espécie recebe proteção legal no Chile, mas há necessidade de políticas específicas para grandes exemplares. A madeira de alerce trouxe riscos de exploração histórica.
Ameaças e proteção
Desafios atuais incluem mudanças climáticas, desmatamento e atividades ilegais de corte. Organizações locais relatam pressão de ocupação de terras próximas a Puerto Montt, com obras de drenagem e estradas destruindo habitats.
Há preocupações com projetos de infraestrutura, como estradas que atravessariam áreas de alerces. Embora o programa tenha sido interrompido, autoridades podem reconsiderar medidas sob novas administrações.
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