- Centella asiatica, antes comum em Kathmandu, está desaparecendo à medida que invasoras como Crofton weed (Ageratina adenophora) ganham espaço, sufocando plantas nativas.
- Estudos indicam que espécies invasoras já reduziram quase metade da diversidade de plantas nativas em áreas protegidas do Nepal, sugerindo impactos semelhantes na capital.
- Entre as invasoras dominantes em Kathmandu estão Crofton weed, lantana (Lantana camara), Parthenium hysterophorus e Ageratum houstonianum; várias tornam-se ornamentais em jardins.
- Falta uma autoridade nacional única para enfrentar invasoras urbanas; regulamentação é fraca e o manejo concentra-se em áreas agrícolas e florestais, com compras de plantas exóticas por custo e aparência.
- Em 2025 ocorreu a primeira conferência sobre espécies alienígenas no país, com uma declaração de dezoito pontos para identificar, monitorar e regulamentar entradas de espécies invasoras, incluindo áreas urbanas.
KATHMANDU — Em Kathmandu, a presença de plantas invasoras tem reduzido o espaço de espécies nativas. Hoje, a pennywort indiana está sumindo das áreas centrais da cidade, compensada pela expansão de espécies controvertidas.
A principal cucurbitácea invasora é a Crofton weed, conhecida localmente como kaalo banmara. Outras invasoras dominam áreas públicas, jardins e margens, afetando a biodiversidade local e a circulação de luz entre as plantas.
O pesquisador Bharat Babu Shrestha, professor de botânica da Tribhuvan University, observa o quadro na capital nepalesa. Ele aponta estudos de parques nacionais próximos que indicam redução de espécies nativas por invasoras, presumivelmente similar em Kathmandu.
Situação atual em Kathmandu
Experts dizem que entre as espécies invasoras mais presentes estão a lantana comum (kaade banmara), Parthenium hysterophorus (pati jhaar) e Ageratum houstonianum (neelo gandhe). Esses exemplares competem com plantas nativas.
Shrestha alerta que plantas ornamentalmente populares, como lantana e Hypoestes phyllostachya, tendem a se expandir de vasos para terrenos maiores, bloqueando a luz e substituindo espécies locais.
“Práticas de controle precoce ajudam a evitar expansões em áreas agrícolas e naturais”, afirma o botânico, destacando a necessidade de vigilância em áreas urbanas.
Contexto histórico e impactos
A introdução de espécies não nativas remonta ao século XIX, durante a época de Jung Bahadur Rana. Hoje, estima-se que três a quatro árvores na região delimitada pela ring road de Kathmandu sejam não-nativas.
Um estudo de 2024 mostrou que 48% das 158 espécies observadas em Sanobharyang eram não-nativas, com 6% classificadas como invasivas. Nem todas as espécies não-nativas são prejudiciais, dizem especialistas.
Governança e ações
Especialistas destacam a fragilidade das ações regulatórias. Não há uma autoridade nacional única para invasoras, e a atribuição de responsabilidades é dispersa entre órgãos como Plant Quarantine e Forest Research and Training Center.
Em 2025, a Forest Research and Training Center realizou a primeira conferência sobre espécies alienígenas, emitindo uma declaração com 18 pontos. A medida visa melhorar identificação, monitoramento e políticas.
Perspectivas e próximos passos
Shrestha defende avaliação de riscos antes da chegada de sementes ao país e ampliação de regras para áreas urbanas, não apenas agrícolas. A ideia é reconhecer a biodiversidade urbana como parte de conservação.
Pandey, pesquisador da Tribhuvan University, reforça que parques da cidade já exibem predomínio de espécies não-nativas, com impactos potenciais na fauna e na paisagem urbana. Ações consistentes são apontadas como necessárias.
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