- A linha Metro C de Roma encara escavações arqueológicas durante a construção, revelando vestígios que remontam a 7 mil anos atrás, o que tem atrasado obras e elevado custos.
- Ao todo, serão sete “estações arqueológicas” que combinam espaço de trânsito com museus interativos para exibir os artefatos encontrados.
- As duas primeiras estações arqueológicas já abriram: San Giovanni (2018) e Colosseo-Fori Imperiali (dezembro de 2025), com mais destaque para a estação Porta Metronia, aberta em dezembro de 2025.
- Entre os achados, foram encontrados poços, uma fazenda, quartéis militares e uma residência com 16 cômodos, além de mais de meio milhão de artefatos de várias épocas.
- O custo estimado da Metro C é alto, chegando a cerca de € 1 bilhão por quilômetro no centro histórico, mas os defensores dizem que o projeto permite conhecer a história de Roma de forma inédita.
Para Roma, o maior desafio de mobilidade não é apenas cavar rocha, mas abrir portas para a história. O projeto Metro C enfrenta milhares de anos de ruínas ao redor da cidade, moldando cada passo de uma obra que já dura duas décadas. A cada trecho, surgem descobertas que atrasam prazos e elevam custos, porém oferecem uma nova visão do passado.
O corredor ferroviário que liga Monte Compatri-Pantano ao centro histórico revelou restos de poços antigos, uma fazenda, quartéis militares e uma casa com 16 cômodos. Além disso, centenas de artefatos, como cerâmicas, moedas e joias, datam do 7º a.C. ao 5º d.C. A interdição de áreas obrigou replanejamentos, mas também transformou trechos de metro em museus a céu aberto.
Até 2014, Roma contava com duas linhas de metrô em uma cidade de 1.285 km². Com a expansão da Metro C, as futuras paradas se tornaram verdadeiras vitrine de arqueologia, conectando deslocamento cotidiano a uma imersão histórica.
Visitas que misturam trem e túnel
A primeira estação arqueológica, San Giovanni, abriu em 2018, integrando forma de transporte e exposição histórica. O trajeto educativo acompanha o usuário até 27 metros de profundidade, com painéis que remontam eras desde o Paleolítico até a Roma Imperial.
Em dezembro de 2025, a segunda estação arqueológica, Colosseo-Fori Imperiali, foi inaugurada para uso público. A integração entre passagem rápida e leitura dos vestígios permite entender como a cidade foi construída ao longo do tempo.
Porta Metronia e redesenho de obras
Entre Colosseo-Fori Imperiali e San Giovanni, a estação Porta Metronia passou a abrir em dezembro de 2025. Durante as escavações, arqueólogos identificaram uma grande fortificação militar do século II que possuía várias salas decoradas com afrescos e mosaicos. A descoberta motivou o redesenho para preservar o conjunto, mantendo-o acessível durante a construção.
A gestão da obra prevê que, em junho, seja aberto ao público um espaço completo de arqueo-stação com as estruturas preservadas, incluindo as áreas de quartel e residência.
Custos e objetivo
A Metro C tem estimativa de custo em torno de 7 bilhões de euros ao longo de todo o trajeto pelo centro histórico, com variações por trecho. Os números refletem o desafio de preservar o patrimônio enquanto se amplia a rede de transporte.
A iniciativa visa aproximar moradores e visitantes de um acervo histórico inédito. Diferentes públicos aproveitam as exposições para compreender a evolução de Roma, que se revela não apenas no que é visto acima do solo, mas também no que está abaixo.
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