- Pesquisadores identificaram seis rotas de migração marinhas que ligam os oceanos Atlântico, Pacífico, Índico e o Oceano Austral, ajudando a entender deslocamentos e onde recaem responsabilidades de conservação.
- As rotas se sobrepõem a águas de cinquenta e quatro países, incluindo muitos já signatários de acordos internacionais sobre espécies migratórias.
- Cerca de 151 espécies de aves marinhas utilizam essas rotas, o que representa aproximadamente quarenta por cento do total; aproximadamente quarenta e dois por cento dessas espécies estão globalmente ameaçadas.
- As principais pressões são espécies invasoras em ilhas de reprodução, bycatch em pescarias de arrasto de longo alcance e mudanças climáticas, com algumas espécies enfrentando mais de uma ameaça.
- A ideia de rotas migratórias marinhas busca conectar áreas de reprodução, alimentação e paradas, facilitando o alinhamento entre acordos existentes e potencial reconhecimento formal pela Convenção sobre Espécies Migratórias.
Os pesquisadores apontam que as espécies migratórias de aves marinhas cruzam fronteiras com pouca consideração pelas regras locais. Animais que percorrem oceanos inteiros dependem de habitats dispersos e regulados por diferentes jurisdições, o que resulta em proteção irregular e populações em declínio.
Um estudo recente identifica seis rotas de migração marítima que conectam os oceanos Atlântico, Pacífico, Índico e Antártico. As rotas representam caminhos recorrentes de deslocamento, indicando onde cada espécie se move e onde a responsabilidade recai sobre autoridades.
O trabalho, resultado de colaboração entre BirdLife International, RSPB e universidades, baseia-se em dados de rastreamento. Foram mapeadas áreas de alimentação, criadouros e paradas críticas para 151 espécies de aves marinhas, o que corresponde a cerca de 40% de todas as aves marinhas.
O que muda com as rotas marinhas
As rotas sobrepõem-se às águas de 54 países, muitos já signatários de acordos sobre espécies migratórias. Países com territórios ultramarinos podem figurar em várias rotas simultaneamente, ampliando o conjunto de regimes de proteção aplicáveis.
A maioria das espécies está associada a uma única rota, embora algumas atravessem mais de uma. Isso conecta diferentes partes do oceano e sugere responsabilidades compartilhadas entre governos e organizações internacionais, como a Convenção sobre Espécies Migratórias.
Potencial de proteção e desafios
A proposta não visa proteger toda a extensão oceânica, mas aumentar a conectividade entre áreas protegidas. Existem mais de 1.300 Áreas Importantes para a Biodiversidade, que podem sustentar a conservação de aves marinhas, ainda que a cobertura varie entre regiões.
Entre as ameaças, destacam-se espécies invasoras em ilhas de reprodução, bycatch em pesca de arrasto e alterações climáticas. A distribuição desses riscos varia regionalmente, demandando ações coordenadas para manter redes de habitats viáveis.
Limites e próximos passos
Medidas já existentes incluem erradicação de mamíferos invasores em ilhas, redução do bycatch em pescarias de linha e apoio à colonização em novas áreas. A aplicação ampla dessas ferramentas, porém, depende de vontade política e de acordos mais robustos.
Os autores defendem o reconhecimento formal das rotas marítimas no âmbito da Convenção sobre Espécies Migratórias. Tal marco pode facilitar a coordenação entre jurisdições e alinhar acordos regionais e metas globais de biodiversidade, ampliando a efetividade das ações.
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