- Estudo financiado pela Fapesp mostra que doses menores de minociclina podem ajudar no tratamento do transtorno do pânico, com efeito similar ao do clonazepam em camundongos e em humanos.
- Pesquisas foram feitas em camundongos (Unesp) e em humanos (UFRJ) e publicadas na revista Translational Psychiatry, com 49 pacientes analisados.
- Em humanos, a minociclina reduziu a intensidade das crises provocadas por inalação de dióxido de carbono, em comparação com o grupo que recebeu clonazepam.
- O experimento em camundongos utilizou CO2 para induzir ataques de pânico; a minociclina, administrada por 14 dias, diminuiu respostas panicogênicas e houve evidência de atuação anti-inflamatória no cérebro.
- O estudo sugere que a minociclina pode ser uma alternativa para pacientes que não respondem ao tratamento psiquiátrico tradicional, abrindo caminho para fases futuras de pesquisa clínica.
Um estudo apoiado pela Fapesp aponta que pequenas doses de um antibiótico podem ajudar no tratamento do transtorno do pânico. Os experimentos em camundongos ocorreram na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e, em humanos, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A minociclina mostrou efeito similar ao clonazepam no contexto de ataques de pânico induzidos em laboratório.
A pesquisa integra o projeto sobre a fisiopatologia da sensibilidade ao CO2, coordenado pela professora Luciane Gargaglioni, da FCAV‑Unesp. Beatriz de Oliveira, primeira autora, explica que a minociclina reduziu respostas panicogenas em camundongos e atenuou crises em humanos sob CO2.
Os testes em humanos envolveram 49 pacientes diagnosticados com transtorno do pânico. Os participantes inalaram ar com CO2, e foram avaliados ao longo de sete dias sob clonazepam ou minociclina. O objetivo foi comparar a intensidade das crises e a resposta inflamatória.
O que mudou com o uso da minociclina
Os pesquisadores observaram queda nas citocinas pró‑inflamatórias IL‑2sRα e IL‑6, além de aumento da IL‑10, em pacientes que receberam a minociclina. Também houve redução da citocina TNFα, associada a processos inflamatórios.
Camundongos revelam padrões cerebrais
Nos animais, a minociclina diminuiu uma das respostas ao ataque de pânico induzido por CO2, com 14 dias de tratamento prévio. A análise do locus coeruleus revelou menor densidade de micróglias seis horas após a exposição ao CO2, fortalecendo o papel dessa região no fenômeno.
Perspectivas e próximos passos
O estudo sugere que doses menores de minociclina podem ser uma via alternativa para pacientes que não respondem ao tratamento psiquiátrico convencional, que afeta aproximadamente metade dos pacientes. A continuação dos testes clínicos pode avançar para fases maiores com diferentes doses.
Espera-se que a pesquisa inspire a busca por outras drogas com ação anti‑inflamatória sobre micróglias cerebrais, ampliando as opções terapêuticas para o transtorno do pânico. O artigo completo está disponível na revista Translational Psychiatry.
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