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Falhas repetidas revelam lacunas na gestão de resíduos de níquel na Indonésia

Deslizamentos de rejeitos de níquel na Indonésia expõem falhas na gestão de tailings filtrados e aceleram pressão por moratória, auditorias independentes e normas mais rígidas

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  • Em 18 de fevereiro de 2026, um deslizamento de rejeitos no parque industrial Morowali, em Sulawesi central, Indonésia, engoliu máquinas e deixou um operador morto.
  • O episódio ocorreu em uma área de armazenamento operada pela PT QMB, vinculada ao Indonesia Morowali Industrial Park, e envolve rejeitos filtrados conhecidos como tailings secos.
  • Um relatório da Earthworks, com participação de especialistas, atribui o evento à liquefação dos rejeitos filtrados, ou seja, o material que deveria estar estável comportou‑se como líquido.
  • A peça aponta que alguns depósitos de tailings filtrados na Indonésia são mais altos e apresentam falhas de drenagem, compactação e controle de qualidade, elevando o risco de novos deslizamentos.
  • A organização ambiental pede moratória na ampliação de rejeitos filtrados, auditorias independentes, regulamentação mais rígida e maior due diligence de compradores globais, para evitar reincidência de tragedies.

Na massa de detritos de mineração que desceu pela encosta, minério de níquel e água formaram um fluxo viscoso que engoliu escavadeiras em poucos segundos. O episódio ocorreu em 18 de fevereiro de 2026, em uma área de armazenamento no Morowali Industrial Park, no centro-sul de Sulawesi, Indonésia, operada pela PT QMB.

A tragédia deixou um operador de escavadeira morto. Vídeos captados no evento mostram o momento em que a pilha de rejeitos filtrados, conhecida como tailings, se liquefaz rapidamente, em vez de permanecer como um material sólido. Especialistas afirmam que o fenômeno é liquefação, típica de solos arenosos que perdem coerência com a umidade.

Um relatório recente da ONG Earthworks, com participação de Steven Emerman, aponta preocupações sobre a aplicação da tecnologia de tailings filtrados na Indonésia. Segundo o estudo, há instalações que estão sendo erguidas mais altas e com capacidade de armazenamento maior do que poderiam manter com segurança, devido a falhas em design, drenagem e controle de qualidade.

A Indonésia é o maior produtor mundial de níquel, com crescimento impulsionado pela demanda por baterias de veículos elétricos. A produção subiu de 130 mil toneladas em 2015 para 2,2 milhões de toneladas em 2024, ampliando a participação do país no mercado global. A prática de HPAL, usada para extrair níquel de minérios de baixo teor, gera grandes volumes de rejeitos tóxicos e requer manejo cuidadoso.

Especialistas destacam que o tailings filtrados reduzem o risco de ruptura de barragens úmidas, mas o material filtrado nem sempre está completamente seco e precisa de monitoramento rígido de teor de água, compactação e drenagem. Emerman aponta que, no caso da Indonésia, o teor de água pode alcançar até 35%, bem acima dos cerca de 15% observados em outros lugares, o que aumenta a vulnerabilidade a falhas.

Riscos, padrões e desdobramentos

Dados de indústrias apontam falhas anteriores na região de Morowali, incluindo deslizamentos em 2025 que deixaram vítimas. A QMB atribuiu os incidentes a chuvas extremas, mas especialistas afirmam que o projeto deveria suportar eventos climáticos severos sem falhas de projeto. O estudo de Earthworks recomenda suspender a aprovação de novas instalações de tailings filtrados até que salvaguardas mais robustas sejam adotadas.

Outros polos de níquel na Indonésia, como IWIP em Weda Bay e Harita Nickel em Obi, também são citados como áreas de preocupação. Relatórios indicam que essas operações podem ter maior volume de resíduos e exposição a riscos de contaminação ambiental, com impactos potenciais na água e na saúde local.

A Earthworks defende auditorias independentes, melhoria regulatória e maior diligência por compradores globais da cadeia de suprimentos. Autoridades e empresas responderam parcialmente, com muitas posições ainda em avaliação ou em processo de alinhamento interno, segundo o estudo e contatos realizados pela imprensa.

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