- Estudos genéticos recentes sugerem que Cristóvão Colombo pode ter descendência da nobreza galega, na Espanha, especificamente da linhagem Sotomayor, segundo pré-impressão publicada no bioRxiv.
- A pesquisa analisou o DNA de doze pessoas exumadas da cripta dos Condes de Gelves, em Sevilha, e identificou parentesco não documentado entre duas figuras da sequência familiar.
- Os autores apontam Pedro Álvarez de Sotomayor, o conhecido Pedro Madruga, como ancestral direto da linhagem colombina; uso da técnica Virtual Knock-out ajudou a confirmar esse vínculo.
- Os pesquisadores ressaltam que os resultados são preliminares, indirectos (não com o DNA de Colombo) e precisam ser verificados por outros laboratórios antes de se tornar evidência conclusiva.
- O debate sobre a origem de Colombo persiste, com outras linhas de pesquisa apontando desde origem sefardita mediterrânea até Genoa, e os dados atuais não encerram o tema.
Um estudo científico preliminar sugere, pela primeira vez, que Cristóvão Colombo teria descendência de nobreza galega, na Espanha, especificamente da linha Sotomayor. as evidências vêm de análises genéticas de descendentes associados à tumba dos Condes de Gelves, em Sevilha.
A pesquisa, realizada por equipe do Citogen e da Universidad Complutense de Madrid, foi publicada em formato de preprint na plataforma bioRxiv. o trabalho marca a terceira fase de um projeto iniciado com exumações em março de 2022.
Segundo os autores, duas pessoas com vínculos genealógicos desconhecidos pelo registro histórico apresentaram semelhanças genéticas incomuns entre si. Entre eles, Jorge Alberto de Portugal, terceiro Conde de Gelves, e María de Castro Girón, condessa consorte de Portugal.
A análise aponta Pedro Álvarez de Sotomayor, conhecido como Pedro Madruga, como ancestral direto da linha columbiana. para corroborar, os pesquisadores aplicaram a chamada técnica Virtual Knock-out, que, ao eliminar virtualmente Madruga, interrompeu o elo genético entre os dois descendentes.
O estudo utilizou sequenciamento em larga escala, com mais de 10 mil marcadores genéticos. a técnica é descrita pelos técnicos como inovadora para restos tão antigos, segundo a pesquisadora Isabel Navarro-Vera.
Perspectiva histórica sobre Pedro Madruga
Historicamente, a hipótese de Colombo ser filho de Sotomayor já havia sido proposta há décadas. Pedro Madruga foi uma figura influente na Galicia do século XV, disputando com a monarquia Castela e alinhando-se a Portugal em momentos de conflito.
A coincidência cronológica entre o desaparecimento de Madruga, por volta de 1486, e a aparição de Colombo na corte dos Reis Católicos é citada como evidência de continuidade de vida em um mesmo período histórico.
Outras evidências citadas pelos autores incluem traços linguísticos galegos-portugueses em textos de Colombo e símbolos heráldicos que relacionam Madruga à linha Sotomayor no brasão concedido pela coroa.
Desafios e próximos passos
Os autores reconhecem que as conclusões são indiretas, baseadas em descendentes, não no DNA de Colombo. A validação independente é necessária para confirmar o vínculo proposto.
Pesquisas em Granada, que estudam os restos atribuídos a Colombo na Catedral de Sevilha, também buscam origem sefardita mediterrânea, segundo trabalhos divulgados pela imprensa pública espanhola, sem dados publicados integralmente.
O consenso atual entre historiadores permanece aberto. A teoria galega convive com o modelo tradicional de origem genovesa, já documentada na will de Colombo de 1498.
Os autores pedem que os dados brutos sejam tornados públicos, que a análise seja reproduzida por outros laboratórios e que bases de dados de populações históricas sejam incorporadas, para avançar o debate de forma transparente.
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