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Corredor de reflorestamento em Madagascar oferece futuro para lêmures

Corredor de reflorestamento entre Andasibe-Mantadia e Analamazoatra avança, conectando habitats, gerando empregos locais e sinais iniciais de recuperação, apesar de desafios com espécies exóticas

View of the landscape where the reforestation corridor project is located in eastern Madagascar.
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  • Projeto de reflorestamento liga Andasibe-Mantadia ao Analamazoatra, conectando dois habitats-chave com cento e cinquenta hectares de floresta nativa, iniciado em 2023.
  • Liderado pela Mad Dog Initiative, em parceria com TDARFAC e outras organizações, com financiamento de Seacology, Re:wild e Lush; programa IUCN SOS Lemurs também apoia.
  • Plantio foca em espécies nativas; as mudas são cultivadas em viveiros locais a partir de sementes de áreas próximas, com mais de cem espécies identificadas.
  • Em uma área de estudo de 30 hectares, a mortalidade das mudas é de cerca de 4%, e algumas espécies já alcançam aproximadamente dois metros de altura; monitoramento semanal é feito por equipe local.
  • Desafios incluem presença de eucalipto exótico e plantas invasoras; empregos locais e um centro de saúde público em construção são parte dos benefícios sociais, com conclusão prevista para dezembro de 2027.

O corredor de reflorestamento em Madagascar avança para reconectar áreas florestais chave entre o Parque Nacional Andasibe-Mantadia e a Reserva Especial Analamazoatra. O projeto, iniciado em 2023, busca recuperar 150 hectares de floresta nativa e facilitar o movimento de espécies de lemures na região leste do país.

Conduzido pela Mad Dog Initiative (MDI), ONG de conservação da fauna, em parceria com a TDARFAC, Association Mitsinjo e Ecovision Village, o esforço reúne ciência, investimento privado e participação comunitária. Fundos vêm de Seacology, Re:wild e a empresa britânica de cosméticos Lush, com suporte adicional da IUCN SOS Lemurs.

O objetivo central é restaurar conectividade entre dois pontos críticos de habitat. A iniciativa nasce de uma constatação de 2017 sobre o afastamento entre as áreas protegidas, levantada por Kim Valenta, da MDI, durante campanhas de esterilização e vacinação de animais domésticos. A meta inicial envolve um corredor de 6 km de extensão e 500 m de largura no menor trajeto entre as bordas dos parques.

Progresso inicial e monitoramento

As primeiras etapas incluem plantio de espécies nativas oriundas de áreas vizinhas. Plantio de 70 hectares já foi financiado por organizações internacionais, e TDARFAC custeou salários de plantadores nos anos iniciais, além de apoiar o monitoramento contínuo. A IUCN ampliou o financiamento para concluir o plantio até dezembro de 2027.

O monitoramento ocorre em uma parcela de 30 hectares, com 1.200 a 1.500 mudas por hectare. Metade das mudas foi cultivada em solo inoculado com micorrizas locais, visando melhor desenvolvimento das plantas. O acompanhamento ocorre semanalmente, com registro de identidade das espécies, data de plantio, coordenadas, altitude, encosta, crescimento e mortalidade.

Resultados parciais apontam mortalidade média de cerca de 4% e crescimento rápido de algumas espécies, já chegando a cerca de dois metros de altura em poucos anos. Especialistas locais destacam que o uso de micorrizas pode contribuir para a sobrevivência das mudas plantadas.

Parcerias locais e impacto comunitário

A Mitsinjo, com sede próxima a Andasibe, fornece grande parte das mudas inoculadas com micorriza e compartilha know-how em reflorestamento. A participação de técnicos locais e especialistas em botânica sustenta o projeto desde o início. A presença de fauna tem sido observada na própria trilha de recuperação, fortalecendo a percepção de funcionamento do corredor.

Desafios persistem, incluindo uma plantação de eucalipto existente no corredor, trazida por ocupantes anteriores para produção de carvão, além da presença de plantas invasoras como Desmodium uncinatum. A equipe busca formas de remoção gradual com custos gerenciáveis e estratégias de controle biológico com uso de caprinos em áreas específicas.

O terreno é gerido pela Ecovision Village, organização que promove restauração e turismo ecológico, gerando empregos para a população local. Atualmente, 12 moradores atuam como plantadores e monitores, enquanto 20 trabalham na coleta de insumos e na multiplicação de mudas.

Perspectivas e ações complementares

Além do reflorestamento, o projeto investe em saúde e educação para apoiar a conservação. Está em construção a primeira unidade de saúde comunitária gratuita em Andasifahadimy, voltada a cerca de 10 comunidades ao redor do corredor. Também há ações de educação ambiental com visitas de estudantes à área.

A equipe planeja ampliar campanhas de vacinação e esterilização de cães e gatos que frequentam florestas da região para reduzir impactos sobre a fauna. Embora o corredor seja importante para conectar habitats, especialistas ressaltam que não substitui a preservação de florestas primárias remanescentes, que permanecem cruciais para a biodiversidade.

A iniciativa projeta conclusão do plantio até o fim de 2027 e pretende manter monitoramento de longo prazo para orientar futuras estratégias de conectividade de habitats na região tropical úmida.

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