- O desempenho de modelos entre EUA e China praticamente se igualou, com a liderança alternando desde 2025; em março de 2026, o modelo líder é da Anthropic, com vantagem de apenas 2,7%.
- Ainda há mais modelos de ponta nos EUA (cinquenta em 2025) frente à China (trinta), mas a China lidera em volume de publicações, citação e concessões de patentes.
- A China domina em patentes por capo, enquanto os EUA concentram grandes centros de dados (5.427), mas dependem fortemente da fabricação de chips da TSMC.
- Benchmark de segurança e IA responsável ainda é pouco utilizado: a maioria dos modelos de ponta não reúne resultados em benchmarks de IA responsável.
- Incidentes documentados de IA subiram para 362 em 2025; a confiança pública na regulação da IA varia, com menor confiança nos EUA em comparação à UE.
O estudo AI Index 2026 da Stanford aponta que a vantagem dos EUA em desempenho de modelos de IA não é tão clara quanto costumava. Dados do relatório indicam que modelos dos EUA e da China variaram a liderança desde o início de 2025, com a posição de alto desempenho trocando de mãos diversas vezes. Em março de 2026, o modelo líder pertence à Anthropic, com vantagem de 2,7%.
Apesar da alternância, os EUA continuam a produzir mais modelos de ponta e manteram patentes de maior impacto. Em 2025, 50 modelos de alto nível saíram dos EUA contra 30 da China. Já a China lidera em volume de publicações, citações e concessões de patentes, com a participação em artigos citados aumentando de 33 em 2021 para 41 em 2024.
A China também supera os EUA em publicação total e citações relevantes. O país aparece como líder em patentes per capita, com destaque para a Coreia do Sul nesse indicador. A análise sugere que o hiato anterior pode oscilar conforme os lançamentos de novos modelos.
Desafios de IA responsável e segurança
O relatório destaca que os benchmarks de segurança e IA responsável não acompanharam o ritmo dos benchmarks de capacidade. Em muitos casos, as entradas em tais benchmarks permanecem vazias, dificultando comparações externas entre modelos.
O documento aponta que, embora haja atividade de red-teaming e testes de alinhamento, esses resultados não costumam ser divulgados de forma padronizada. Assim, comparar a segurança de IA entre diferentes modelos se mostra complexo para o público externo.
Incidentes de IA aumentaram: 362 em 2025, ante 233 em 2024. O AI Incident Database registra esse crescimento, enquanto o OECD aponta picos mensais de 435 em janeiro de 2026, com média móvel de 326.
Governança, confiança e percepção pública
O estudo aponta queda na percepção de resposta institucional a incidentes de IA: apenas 18% das organizações avaliam “excelente” seu atendimento em 2025, ante 28% em 2024. A parcela fornecendo respostas “boas” caiu para 24%.
Há também tensão entre avanços técnicos e qualidade de governança. Ganhos em segurança podem reduzir precisão ou afetar a equidade, segundo o relatório, que afirma a falta de um marco consolidado para gerenciar esses trade-offs.
A confiança pública na regulação de IA é baixa nos EUA, com 31% confiando na capacidade regulatória do governo. A média global fica em 54%, e a região sudeste asiática se mostra mais confiante em regulação, com níveis acima de 75%.
Percepção global sobre impactos da IA
Globalmente, 59% das pessoas enxergam benefícios da IA, frente a 55% em 2024. Ainda assim, 52% dizem sentir-se inseguros em relação a produtos e serviços de IA. A percepção pública aumenta, ao mesmo tempo, a adoção da tecnologia.
Entre especialistas e público, há uma diferença marcante sobre impactos no trabalho e na economia. 73% dos especialistas esperam efeito positivo no trabalho, vs 23% da população. No conjunto, há uma lacuna de cerca de 50 pontos.
Ao tratar de regulação, o relatório aponta que o Brasil não figura entre os casos citados, mas reforça que a confiança regulatória varia por região. A União Europeia aparece como referência de regulação percebida como mais confiável do que EUA ou China.
O AI Index 2026 conclui que a adoção de IA avança, enquanto a capacidade de regulação e avaliação responsável corre atrás, sem um padrão público comum de avaliação. O estudo enfatiza a necessidade de dados padronizados para acompanhar progressos.
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