- A física Marcia Barbosa, de 66 anos, reitora da UFRGS, ganhou notoriedade por suas pesquisas sobre a água e ativismo, após vídeo em que convida alunos para o vestibular provocar ataques machistas pela minissaia.
- Ela é a única mulher na turma da época e hoje é professora titular do Instituto de Física; foi eleita pela ONU como uma das cientistas que mais impactam o mundo, em 2020.
- Em resposta aos ataques, iniciou uma pesquisa sobre o ódio dirigido a mulheres nas redes sociais e planeja entrevistar divulgadoras científicas para entender mecanismos de discurso de ódio.
- Barbosa afirma não recuar: continuará fazendo física e defendendo diversidade e inclusão na ciência, destacando que críticas muitas vezes buscam diminuir mulheres no poder.
- Como legado, defende união entre mulheres, especialmente negras e do Sul Global, para construir novos modelos de desenvolvimento e equidade, incluindo o ensino de gênero nas escolas.
Marcia Barbosa, física de 66 anos e reitora da UFRGS, se tornou alvo de ataques por usar minissaia em vídeo de divulgação do vestibular. A repercussão nas redes trouxe insultos machistas que questionam sua trajetória profissional. Ela afirma que não recuará e continua trabalhando.
A pesquisadora é reconhecida internacionalmente pela atuação em anomalias da água e pela defesa de mulheres na ciência. Em 2020 foi eleita pela ONU como uma das cientistas de maior impacto. O episódio reacende debate sobre misoginia no meio acadêmico.
Barbosa detalha que iniciou estudo sobre ódio direcionado a mulheres na ciência. A ideia é coletar dados com uma aluna em física computacional, entrevistar divulgadoras científicas e entender mecanismos de propagação de discursos de ódio. O objetivo é criar uma metodologia de análise.
Desafios e trajetória na ciência
Ela explica que, desde a época de faculdade, optou por liderar sua própria linha de pesquisa e montar seu grupo, mesmo em ambiente pouco acolhedor. Em 2002 realizou a primeira conferência internacional de mulheres na física, na UNESCO, ampliando a mobilização global.
Barbosa destaca que a crítica não se resume à roupa, envolvendo a sensação de poder que alguns homens passam a exercer sobre sua atuação. Ela cita episódios em que a aparência e a idade são discutidas mais que o conteúdo científico, prática que atribui à misoginia.
Atuação institucional e legado
Ela combina pesquisa, gestão e ativismo, mantendo o foco na ciência e na diversidade. Sobre o legado, enfatiza a necessidade de união entre mulheres para transformar a lógica do mercado de trabalho, promovendo equidade e inclusão no ensino básico e superior.
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