Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Transplante de medula de irmão leva homem à remissão do HIV, mostra estudo

Transplante de medula óssea do irmão com CCR5Δ32 gera remissão prolongada do HIV; quimerismo completo no sangue, medula e intestino permite interromper a ART

Transplante com irmão leva à remissão do HIV. (Foto: Sofia Gabureanu via Canva)
0:00
Carregando...
0:00
  • Um homem de 63 anos alcançou remissão prolongada do HIV-1 após transplante de medula óssea do irmão, estudo publicado na Nature Microbiology em abril de 2026, liderado por Anders Eivind Myhre.
  • O benefício está ligado à mutação CCR5Δ32 presente no doador em dose dupla, que impede o vírus de usar um portal de entrada nas células do sistema imune; houve quimerismo completo no sangue, na medula óssea e no intestino.
  • A interrupção da terapia antirretroviral ocorreu após vinte e quatro meses do transplante, com RNA do HIV indetectável no plasma e ausência de DNA viral intacto em sangue e tecidos.
  • Biópsias intestinais mostraram quimerismo completo no tecido linfoide associado ao intestino e ausência de DNA proviral intacto, sugerindo eliminação dos reservatórios virais nesse órgão.
  • O caso, embora promissor, ressalta que transplante de medula óssea é procedimento arriscado e ainda restrito a doenças graves; aponta caminhos para terapias futuras que visem remissão sem tratamento contínuo.

O que aconteceu envolve um homem de 63 anos que alcançou remissão prolongada do HIV-1 após um transplante de medula óssea do próprio irmão. O estudo, publicado na Nature Microbiology, foi conduzido com análise clínica, imunológica e virológica ao longo de anos, em plena observação de caso único.

O transplante teve como destaque a mutação CCR5Δ32, presente em dose dupla no doador, que impede a entrada do HIV nas células. O receptor recebeu células do irmão, ocorrendo quimerismo completo, com substituição quase total do sistema imune pelo material do doador.

O que torna o caso relevante é a interrupção da terapia antirretroviral após 24 meses, seguida de monitoramento rigoroso. O HIV continuou indetectável no plasma, sem DNA viral intacto em sangue e tecidos, e não houve vírus com capacidade de replicação detectado ao longo de análises sensíveis.

Mutação CCR5Δ32 e quimerismo completo

A mutação CCR5Δ32 foi o principal fator de proteção observado. Em seguida, o quimerismo completo também foi verificado na medula óssea e no intestino, um dos maiores reservatórios do vírus.

Reservatórios intestinais sob escrutínio

Os pesquisadores analisaram o tecido linfoide associado ao intestino, onde o HIV costuma persistir. Após o transplante, o quimerismo permaneceu nesse tecido e o DNA proviral intacto não foi encontrado, sugerindo controle profundo ou possível erradicação.

Implicações e limitações

Historicamente, remissões com doadores portando CCR5Δ32 são raras; este caso envolve um irmão compatível, o que amplia o leque de possibilidades. O estudo mostra que substituição imune completa, redução de reservatórios e resposta imunológica remodelada podem atuar conjuntamente.

Desfecho e perspectiva

Apesar de resultados promissores, o transplante de medula óssea permanece arriscado e indicado apenas para doenças graves. Os autores ressaltam que a pesquisa oferece pistas para terapias futuras mais seguras e acessíveis, com objetivo de remissão sustentada sem tratamento contínuo.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais