- Virologista Chris Buck desenvolveu uma cerveja com “fermento vacinal” que produz proteínas virais inofensivas para estimular anticorpos contra certos cânceres.
- Em teste com camundongos, a beer mostrou provocar resposta imune; Buck também induziu anticorpos em si mesmo ao consumir o produto por cinco dias seguidos, com reforços posteriores.
- A pesquisa indica que proteínas virais alojadas no fermento resistem ao ácido do estômago, chegando ao intestino para ensinar o sistema imune.
- Buck criou a Gusteau Research Corporation, organização sem fins lucrativos para desenvolver moléculas que facilitem o uso de levedura comum na expressão de antígenos de vacinas.
- O NIH rejeitou o pedido de experimentação em si mesmo; críticos apontam que vacinas devem seguir aprovação da FDA, enquanto Buck afirma que vacinas comestíveis podem ser mais rápidas, baratas e aceitáveis em alguns grupos.
Um virologista norte-americano afirma ter criado uma cerveja com levedura “vacina” capaz de provocar o sistema imunológico a produzir anticorpos contra certos tipos de câncer. O pesquisador utilizou uma cepa de levedura de cerveja para gerar proteínas virais inofensivas, associadas a um linfócito protetor.
A experiência inicial foi conduzida em camundongos, que mostraram resposta imune ao testar o sangue. O pesquisador sustenta que embalar as proteínas virais na levedura protege-as do ácido do estômago, permitindo que cheguem ao intestino e estimulem células imunes.
Em seguida, o pesquisador passou a testar o método em si mesmo, consumindo de uma a duas pintas diárias por cinco dias, com duas doses de reforço após cinco e sete semanas. Houve detecção de anticorpos contra dois tipos de BK polyomavirus, ligados a certos cânceres de bexiga.
O estudo passou a ser conduzido pela equipe de Buck e envolve a criação de uma organização sem fins lucrativos, a Gusteau Research Corporation, para desenvolver moléculas que avancem a produção da “cerveja-vacina”. O objetivo é ampliar o estudo para além de modelos animais.
Controvérsia e críticas
Entidades e especialistas questionam a viabilidade e a ética do experimento, especialmente a ideia de realizar testes em si mesmo. O Instituto Nacional de Saúde dos EUA rejeitou a candidatura de Buck, alegando que autoconduzir experimentos não é aceitável.
Diferentes especialistas também ponderam que vacinas baseadas em alimentos podem encontrar resistência pública, enquanto há quem defenda que esse tipo de abordagem pode reduzir barreiras de adesão entre alguns grupos.
Buck afirma que vacinas alimentares poderiam ser produzidas de forma mais rápida, barata e menos dolorosa que as vacinas tradicionais, e que poderiam cobrir vírus associados a gripes e a doenças respiratórias. Ele reforça que o conceito pode tornar a vacinação mais acessível.
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