- Glen Schofield, criador de Dead Space e fundador da Striking Distance, afirma que a IA generativa pode salvar jogos AAA, desde que haja liderança adequada e uso consciente da ferramenta.
- O veterano aponta que o atual problema do setor vem de um ciclo de investimentos rápido e mal direcionado após a pandemia, com bilions de dólares entrando no mercado.
- O caso da Bungie é citado como exemplo de falha na diligência de investidores; a Sony comprou o estúdio por cerca de US$ 3,6 bilhões em 2022, seguido de demissões e cancelamentos de projetos.
- A solução, segundo Schofield, é identificar criativos de verdade nas equipes e fazer com que artistas aprendam a trabalhar com IA, para acelerar a criatividade sem substituí-la.
- Ele diz que a IA deve ser usada para economizar tempo, não para reduzir equipe, e observa que a indústria está dividida sobre a GenAI, com maioria considerando impactos negativos.
Glen Schofield, criador de Dead Space e fundador da Striking Distance Studios, voltou a falar sobre o futuro dos jogos AAA. Em entrevista ao GamesIndustry.biz, ele defende que a crise do setor passa por direção estratégica e pelo uso de IA generativa, ainda que ressalte limitações da tecnologia.
Para ele, o problema atual não é a ausência de recursos, mas o uso inadequado do dinheiro. O colapso, segundo Schofield, ocorreu após a pandemia, quando empregos e projetos foram mal escalonados e financiados sem a maturidade necessária para gerenciá-los.
O veterano aponta que investidores fizeram uma diligência insuficiente antes de liberar verbas e cita o caso da Bungie, adquirida pela Sony em 2022 por cerca de 3,6 bilhões de dólares. Em seguida, o estúdio enfrentou demissões e cancelamentos de projetos.
A solução, diz Schofield, é identificar verdadeiros criativos nas organizações e exigir que esses talentos acompanhem a evolução tecnológica, inclusive treinando-se para usar IA generativa. Segundo ele, a criatividade humana deve permanecer no centro.
Sobre a IA, o criador de The Callisto Protocol afirma que a ferramenta pode acelerar processos, mas não substituir a decisão criativa. Ele compara com a evolução do motion capture, que expandiu equipes e elevou padrões, em vez de eliminar empregos.
Schofield não acredita na possibilidade de reduzir o desenvolvimento a 20 pessoas via GenAI. O desafio seria o equilíbrio entre ajustes finos de nível, arte, código e experiência, realizados de forma contínua e detalhada.
Na indústria, estudos recentes mostram resistência da maioria dos profissionais à IA generativa. Um relatório do meio técnico aponta que mais da metade dos desenvolvedores vê impactos negativos, com maior pessimismo entre artistas visuais e técnicos.
O veterano argumenta que a IA deve ser encarada como ferramenta de ganho de tempo e geração de conteúdo, não como diminuição de equipes. A visão contrasta com a prática de muitas empresas, que buscam reduzir custos com automação.
Schofield não está apenas propondo teoria. The Callisto Protocol teve custo estimado acima de 160 milhões de dólares e recebeu críticas variadas ao lançamento em 2022. O designer deixou a Striking Distance em 2023 e vem discutindo os desafios de viabilizar novos projetos.
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