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Biodigestores transformam resíduos industriais em energia e reduzem emissões

Biodigestores transformam resíduos industriais em energia, reduzindo até 99% das emissões em processos térmicos, com casos de Unilever e Ambev

Biodigestor da Unilever em operação: resíduos industriais, como restos de maionese, são convertidos em biogás para geração de energia.
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  • A Unilever, em Pouso Alegre (MG), transformou resíduos de maionese em biogás por meio de biodigestão com inteligência artificial, aumentando eficiência e evitando até 400 toneladas de CO₂ por ano.
  • O biogás produzido é usado no próprio processo industrial, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
  • Na Ambev, o biogás resulta da decomposição anaeróbica de efluentes de cervejarias, e, após purificação, vira biometano com mais de 90% de metano, utilizado nos processos industriais.
  • A substituição do gás natural por biometano pode reduzir até 99% as emissões em processos térmicos; há aplicação também em uma fábrica de vidro no Rio de Janeiro para fornos de embalagens.
  • Desafios para a expansão incluem infraestrutura de distribuição ainda limitada, necessidade de transporte por caminhões e custos superiores ao gás natural.

A transformação de resíduos industriais em energia já avança no Brasil, com biodigestores que convertem matéria orgânica em biogás. Unilever e Ambev destacam-se como casos emblemáticos, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e ampliando a economia circular. Em Pouso Alegre (MG), a Unilever converte resíduos de maionese em biogás para manter o próprio processo industrial. A iniciativa utiliza monitoramento com inteligência artificial para prever falhas e otimizar a produção.

A unidade da Unilever enfrenta o desafio de decompor um produto formulado para resistir à degradação. Segundo o responsável técnico Rodrigo Cano, a solução combina biodigestão com IA, controlando temperatura e composição do gás. Edmundo Mollo, diretor da unidade, afirma que a tecnologia evita até 400 toneladas de CO₂ por ano.

Na Ambev, o biogás substitui gás natural fóssil em processos térmicos como caldeiras e fornos. Luiz Talarico, head de Sustentabilidade, explica que o biometano resulta da decomposição anaeróbica de efluentes da cervejaria, seguido de purificação para obter metano acima de 90%. A adaptação aos equipamentos ocorre sem grandes mudanças estruturais.

O biometano já é utilizado em diversas etapas da cadeia produtiva da Ambev, inclusive em uma fábrica de vidros no Rio de Janeiro, onde alimenta fornos para embalagens com menor carbono. O objetivo é ampliar o uso do combustível na produção, reduzindo a pegada de carbono de toda a operação.

As emissões associadas aos processos térmicos podem cair até 99%, segundo a Ambev, com a substituição por biometano. A empresa também destaca a recuperação de biogás de efluentes como forma de evitar desperdício e emissões adicionais. A prática fortalece a gestão de resíduos e a viabilidade econômica.

Os desafios para a expansão incluem infraestrutura restrita e custos. A falta de ampla rede de distribuição força o transporte por caminhões, o que demanda planejamento logístico rigoroso. Além disso, a oferta de biogás ainda é limitada e os custos são inferiores ao gás natural, dificultando o avanço em novas unidades.

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