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Centro de reabilitação para mico-leão-dourado abre em meio à expansão urbana

Centro de reabilitação para mico-leão-dourado é inaugurado em Ilhéus para frear a expansão urbana e reduzir ataques, eletrocussões e atropelamentos

A golden-headed lion tamarin on an electricity pole in Ilhéus. Image courtesy of the Tamarin Trust.
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  • Centro de reabilitação para mico-leão-dourado-bei foi inaugurado na Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, no dia 26 de março.
  • A espécie Leontopithecus chrysomelas teve redução de área de habitat em quarenta e dois por ciento entre 1992 e 2024, passando de cerca de 22.500 para 13.000 quilômetros quadrados, com a população estimada caindo para menos de 24.401 indivíduos.
  • Grandes ameaças incluem expansão urbana, monoculturas de soja, perda de agroflorestas de cacau, atropelamentos em estradas e ataques de cães domésticos.
  • O espaço terá capacidade para até três grupos de tamarins, com planos de ampliar para oito grupos no futuro.
  • O objetivo é receber animais feridos ou deslocados para tratamento veterinário e reabilitação, visando a reintegração à natureza longe de áreas urbanas.

O primeiro centro de reabilitação de micos-leões-dourados de cabeça branca foi inaugurado no Brasil. A iniciativa visa atender a espécie ameaçada pela expansão urbana e pela perda de agroflorestas para monoculturas. A instalação fica em Ilhéus, Bahia, e envolve a parceria entre a Universidade Estadual de Santa Cruz e a Tamarin Trust, instituição britânica que financia o projeto.

Segundo biólogo brasileiro com mais de 20 anos de estudos sobre o tema, o centro recebe animais feridos ou deslocados para tratamento veterinário e reabilitação, com o objetivo de reintegrá-los à natureza longe de centros urbanos. A ideia é evitar que as cidades avancem sobre o habitat dos tamarins.

O centro foi inaugurado em 26 de março, data que marca o Dia local dos micos em Ilhéus. A cerimônia ocorreu na Universidade Estadual de Santa Cruz e confirmou a capacidade inicial de três grupos, com planos de ampliar para oito grupos.

Conservacionistas destacam que o golden-headed lion tamarin é encontrado apenas no Brasil. De 1992 a 2024, a área de ocorrência encolheu 42%, de cerca de 22.500 km² para 13.000 km², e a população caiu quase 60%, de cerca de 50 mil para menos de 24.401 indivíduos, segundo uma reassesssão populacional de 2024.

Parte do habitat atual está em fazendas de cacau agroflorestais, que convivem sob a copa de árvores nativas. Nos últimos anos, algumas dessas plantações foram substituídas por soja, pastagens e outras atividades, conforme a Tamarin Trust.

Em Ilhéus, a cidade adotou o tamarin como mascote oficial em 2024 e dedicou ao animal o Dia Municipal, em 26 de março, para destacar a relação entre o tamarin e o cacau. A iniciativa reforça a conscientização sobre a conservação da espécie.

Caso o objetivo do centro se confirme, as operações incluirão manejo clínico, reabilitação e posterior realocação de tamarins para áreas rurais com menor risco de contato com áreas urbanas. O projeto busca ampliar a capacidade de atendimento sem ampliar a exposição aos riscos urbanos.

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