- A MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica) é hoje uma das doenças hepáticas mais prevalentes, alimentada pela obesidade e pelo diabetes tipo 2.
- Estima-se que 1,3 bilhão de pessoas no mundo convivem com a MASLD, número que deve crescer.
- A MASLD pode evoluir para cirrose e câncer de fígado; na Europa, já é a segunda maior causa de transplante hepático.
- Brasil e América Latina apresentam alta prevalência, influenciada por fatores genéticos, consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas, sedentarismo e até o uso moderado de álcool.
- Especialistas alertam para impacto social e econômico nos próximos vinte anos e pedem educação profissional e políticas públicas para enfrentar o problema.
O mundo vive a convergência de três problemas de saúde: obesidade, diabetes e gordura no fígado. A condição hepática já é uma das maiores dificuldades da saúde pública atual. O alerta veio do hepatologista Zobair Younossi, durante a Semana de Fígado do Rio de Janeiro.
O especialista americano é presidente do Global NASH Council e professor da Universidade de Georgetown. Suas pesquisas se concentram na doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, conhecida como MASLD.
O encontro ocorreu no Rio de Janeiro, com conversa entre Younossi e a hepatologista Cristiane Vilela Nogueira, da UFRJ. A entrevista foi concedida com exclusividade à VEJA.
Panorama global
Nova análise publicada no The Lancet aponta que 1,3 bilhão de pessoas convivem com MASLD no mundo. O dado ressalta a gravidade da condição e a necessidade de ações coordenadas.
Younossi ressalta que a MASLD pode evoluir para cirrose e câncer de fígado e já é uma das principais causas de transplante na Europa. A previsão é de que os números aumentem sem intervenções eficazes.
No Brasil e na América Latina, o quadro é particularmente preocupante. O especialista cita fatores genéticos, alimentação ultraprocessada, bebidas açucaradas e sedentarismo como pilares do problema.
Mesmo em moderação, o álcool pode agravar a MASLD, segundo novas evidências. A combinação de fatores genéticos e ambientais agrava a prevalência na região.
Perspectivas para o Brasil
Projeções com colegas brasileiros indicam horizonte crítico para as próximas duas décadas. Há necessidade de educação médica contínua e políticas públicas que promovam prevenção e tratamento.
Younossi afirma que o país precisa ampliar a detecção da condição e orientar políticas de saúde. O objetivo é reduzir complicações como cirrose, câncer e necessidade de transplante.
O especialista aponta a urgência de ações estruturais. Medidas envolvem educação clínica, acesso a diagnóstico e mudança de hábitos alimentares e de atividade física.
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