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Mineração ilegal de ouro na Amazônia eleva surtos de malária entre indígenas

Mineração ilegal de ouro na Amazônia aumenta malária entre Yanomami, associando desmatamento, uso de mercúrio e vulnerabilidade sanitária

Garimpeiro com ouro na mão — Foto: Mario Tama/GettyImages
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  • Estudo conjunto entre Stanford, UFMT e UFMG associa a mineração ilegal de ouro na Amazônia a surtos de malária entre os Yanomami, com o aumento registrado no início da década de 2020.
  • O território Yanomami teve, em janeiro de 2023, cerca de vinte mil garimpeiros ilegais, o que representa parte significativa de sua população.
  • Os mecanismos incluem clareiras criadas nas margens de rios, que favorecem o mosquito transmissor; deslocamento de garimpeiros que pode levar o parasita a novas áreas; e uso de mercúrio que contamina água e enfraquece o sistema imunológico.
  • Os dados indicam que cada incremento de 0,03 por cento na mineração levou a entre vinte e quarenta e seis por cento mais casos de malária um a dois anos depois, contribuindo para um aumento de até trezentos por cento entre 2016 e 2023 no território.
  • Medidas em curso envolvem expulsão de garimpeiros, centros de saúde no território, diagnóstico local com malakits, proteção dos direitos territoriais, diversificação econômica rural e incentivo ao ouro reciclado como forma de sinalizar rejeição à extração que viola a saúde indígena.

O garimpo ilegal de ouro na Amazônia é apontado como causa direta de surtos de malária entre povos indígenas, especialmente os Yanomami. O estudo liga o aumento da atividade de garimpo ao aumento de casos entre 2016 e 2023, no território Yanomami.

Pesquisadores da Universidade Stanford, UFMT e UFMG analisaram dados do Ministério da Saúde para quantificar a relação entre mineração ilegal e malária. A crise de saúde dos Yanomami ganhou notoriedade no início da década de 2020.

Entre as hipóteses testadas, constatou-se que a abertura de clareiras ribeirinhas facilita a proliferação do mosquito transmissor. Além disso, o deslocamento de garimpeiros pode importar o parasita entre regiões.

Causas e mecanismos

A mineração derruba florestas e cria clareiras que favorecem o vetor da malária. O ingresso de garimpeiros de áreas endêmicas aumenta a transmissão. O uso de mercúrio contamina rios, prejudicando imunidade e tornando a população mais vulnerável.

Os resultados indicam que cada aumento de 0,03% na mineração corresponde a 20 a 46% mais casos de malária um a dois anos depois. Entre 2016 e 2023, o território Yanomami registrou aumento significativo.

Ações e contexto político

O governo anterior promoveu desregulamentação ambiental, com alterações em demarcação de terras indígenas. Em janeiro de 2023, com a posse de Lula, o número de garimpeiros ilegais no território era estimado em 20 mil.

O esforço atual inclui expulsão de garimpeiros e criação de centros de saúde no território. Pesquisadores destacam a necessidade de ampliar diagnósticos e tratamentos. Programas de capacitação comunitária seguem em desenvolvimento.

Caminhos para a saúde pública

Especialistas defendem a proteção territorial indígena para reduzir desmatamento e melhorar saúde. Estratégias complementares envolvem diversificação econômica rural e uso de kits médicos comunitários para diagnóstico e tratamento locais.

Consumidores são chamados a priorizar ouro reciclado ou a evitar compras que incentivem extração criminosa. A relação entre ambiente e saúde é destacada como trato essencial para prevenir novos surtos.

A pesquisa reforça a ideia de que proteger a floresta não é apenas ambiental, mas também uma medida de saúde pública global, principalmente para populações vulneráveis na Amazônia.

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