- O movimento New Older Living (Nolt) nasce nas redes sociais para redefinir o envelhecimento 60+, promovendo autonomia, saúde física e mental e uso de tecnologias.
- Especialistas alertam que o termo pode gerar preconceitos e separar idosos, criando uma divisão desnecessária que precisa ser combatida.
- Incentivar o envelhecimento saudável envolve atividades físicas diárias, alimentação com menos ultraprocessados e evitar tabagismo; no Estado de São Paulo, prevalecem doenças musculares, articulares e osteoarticulares.
- Obstáculos psicológicos, como medo de cair e baixa autoeficácia, podem dificultar a adoção de hábitos saudáveis, especialmente diante de perdas físicas ou cognitivas.
- A socialização e a troca entre gerações são valorizadas, com apoio de políticas públicas, centros de convivência e espaços que promovem benefícios cognitivos, emocionais e de qualidade de vida.
A New Older Living (Nolt) surge nas redes sociais como uma redefinição do estilo de vida de pessoas 60+. O movimento rejeita rótulos e valoriza protagonismo, autonomia e saúde física e mental, com maior uso de tecnologias. A ideia é encarar o envelhecimento como acúmulo de experiência, diante do desafio do envelhecimento populacional no Brasil.
Pesquisadores alertam para possíveis riscos do termo. A gerontóloga Yeda Duarte afirma que criar categorias para idosos pode incentivar preconceitos e segregar grupos. Ela lembra que nem todos na faixa 60+ vivem em boas condições de saúde, o que exige cuidado para evitar estigmatização.
Incentivar o envelhecimento saudável
A ideia central é estimular hábitos saudáveis ao longo de toda a vida, não apenas na velhice. Pesquisas apontam que atividades físicas simples, como caminhadas e subir escadas, ajudam a evitar o sedentarismo. Além disso, alimentação com menos ultraprocessados e redução de tabagismo são recomendadas para prevenir doenças crônicas.
A médica Yeda Duarte destaca que, entre os idosos no Estado de São Paulo, as doenças musculoesqueléticas são comuns devido à prática física insuficiente. A par de dores, a perda de massa muscular pode comprometer a independência, reforçando a importância da prática regular de exercícios.
Essa atuação contínua favorece a manutenção da autonomia, reduzindo a dependência de terceiros para decisões diárias e fortalecendo a qualidade de vida na idade avançada.
Obstáculos psicológicos
A psicogerontologia traz cautela: a narrativa da Nolt envolve fatores emocionais e sociais que podem variar entre os idosos. O medo de quedas, insegurança com o corpo e vergonha em ambientes de diferentes gerações aparecem como entraves à prática de atividades.
Além disso, a autoeficácia — a crença de que é capaz — pode estar abalada por perdas físicas, cognitivas ou sociais. O sofrimento psíquico, como luto e solidão, também impacta a motivação para adotar hábitos saudáveis.
Especialistas defendem que, além de incentivar, é essencial oferecer cuidado e suporte adequado para quem enfrenta essas barreiras.
Socialização e compartilhamento de experiências
Apesar de riscos de preconceito, a Nolt traz propostas para ampliar a socialização entre pessoas 60+, promovendo vínculos entre gerações. Políticas públicas que facilitam espaços de convivência e atividades ao ar livre ganham relevância para a integração.
O intercâmbio entre idoso e jovens enriquece conhecimentos de ambos. Organizações apontam ganhos que vão além do aspecto físico, como melhoria da saúde mental, sensação de pertencimento e estímulo cognitivo, com impactos na memória, linguagem e atenção.
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