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Mais mamíferos em países tropicais, mas com limitações nos estudos

Embora 89,5% das descrições de mamíferos ocorram em países tropicais, a robustez dos estudos é menor que em países ricos, com impactos na conservação

Roedores como o esquilo correspondem a 41% das descrições de mamíferos entre 1990 e 2025, segundo estudo conduzido por brasileiros
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  • Entre 1990 e 2025 foram descritas 1.116 novas espécies de mamíferos, sendo 999 (89,51%) de países tropicais, enquanto países ricos contribuíram com 117.
  • O estudo, publicado no Journal of Systematics and Evolution e apoiado pela FAPESP, aponta melhoria na robustez das descrições ao longo do tempo.
  • Mesmo com menos espécies descritas, Europa e Estados Unidos utilizam mais técnicas descritivas, como genética e tomografia, elevando a robustez das análises.
  • Fatores biológicos, geográficos e socioeconômicos influenciam a qualidade das descrições; roedores respondem por 41% e morcegos, por 26% das novas espécies.
  • Observa-se tendência de maior autossuficiência da América do Sul em descrições e aumento da participação do coletor nas pesquisas.

O estudo analisa 1.116 descrições de novas espécies de mamíferos entre 1990 e 2025. Deste total, 999 vêm de países tropicais, onde a biodiversidade é maior. Países ricos contribuíram com 117 descrições no mesmo período.

Os pesquisadores destacam que, apesar do avanço técnico, as descrições vindas do Norte Global costumam ser mais robustas. A diferença persiste mesmo com acesso maior a ferramentas modernas. O trabalho é publicado no Journal of Systematics and Evolution.

A pesquisa foi realizada por parte de cientistas vinculados à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e apoiada pela FAPESP. Moroti e Guedes dividem a primeira autoria, durante pós-doutorado no IB-Unicamp.

Segundo os autores, a robustez das diagnoses aumentou com o tempo, graças a mais técnicas e a maior amostra de espécimes. Isso tende a reduzir contestações futuras e apoiar políticas de conservação.

O estudo integra o projeto Megadados & conservação da biodiversidade, coordenado por Mário Moura na Unicamp. O objetivo é avaliar como o acúmulo de conhecimento impacta o planejamento da conservação.

Entre os fatores analisados, destaca-se o tamanho do corpo, a riqueza taxonômica, a geografia de coleta e aspectos socioeconômicos. Esses elementos influem na qualidade das descrições.

Dados biológicos ajudam a explicar a predominância de roedores (41%) e morcegos (26%) entre as espécies descritas. Grupos altamente diversificados costumam exigir maior número de espécimes na comparação.

As limitações também aparecem na internacionalização. Em algumas descrições, menos países participaram, possivelmente por menor custo de ferramentas moleculares.

A América do Sul passa a mostrar maior autossuficiência em descrições, com menos dependência de colaborações com o Norte Global. Novo padrão observado pelos pesquisadores.

Os autores ressaltam que a participação do coletor na descrição pode acelerar ou retardar a publicação. Em trabalhos anteriores, a ausência do coletor atrasou décadas.

A taxonomia integrativa, que usa várias linhas de evidência, tende a oferecer classificações mais estáveis. Isso facilita políticas de conservação contínuas ao longo do tempo.

O estudo reforça a necessidade de dados confiáveis para orientar conservação. Mesmo com avanços, há desigualdades no acesso a recursos que influenciam a produção científica.

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