- Um estudo com mais de 12 mil ossos de quase 400 sítios arqueológicos na Europa mostra que homens consumiam mais proteína de origem animal do que mulheres por pelo menos dez mil anos, desde o fim da Era do Gelo até a Idade Média.
- Os pesquisadores examinaram a composição química dos ossos, usando isótopos como nitrogênio-15 e carbono-13, para estimar o consumo de proteínas animais ao longo da vida.
- A amostra inclui períodos como o começo da Idade Média (500 d.C. a 1000 d.C.), Antiguidade (800 a.C. a 476 d.C.) e Alta Idade Média (1000 d.C. a 1300 d.C.).
- Nos 10% superiores de consumo de proteína animal, havia, em média, 2,16 homens para cada mulher (1.062 homens contra 492 mulheres); nos 10% inferiores, havia mais mulheres do que homens.
- Em cerca de 5% dos sítios, as mulheres tiveram acesso maior a proteínas de origem animal do que os homens, mas, no geral, o padrão foi de predomínio masculino no consumo de carne, peixe e laticínios.
Durante aproximadamente 10 mil anos, homens europeus teriam consumido mais proteína de origem animal que as mulheres, aponta estudo recente. A pesquisa analisa restos humanos para entender padrões alimentares ao longo da história.
Os autores Rozenn Colleter, do INP, em Paris, e Michael Richards, da University of Simon Fraser, lideraram o estudo. A equipe examinou a composição química de mais de 12 mil esqueletos de quase 400 sítios europeus, de Portugal à Rússia.
A amostra abrange períodos desde o fim da Era do Gelo até os dias atuais, com maior densidade de dados no início da Idade Média, na Antiguidade e na Alta Idade Média. Os resultados indicam desigualdade no acesso a proteína animal entre os sexos.
Como a pesquisa foi feita
Os cientistas analisaram isótopos de nitrogênio-15 e carbono-13, relevantes para indicar consumo de proteína animal e dietas com grãos específicos. Variações nesses isótopos ajudam a deduzir hábitos alimentares ao longo da vida.
Para reduzir efeitos de fatores externos, foram usados critérios comparativos: apenas os 10% superiores e os 10% inferiores em cada período foram considerados. A abordagem evidenciou diferenças marcantes entre homens e mulheres.
Principais resultados
Em todos os períodos, homens estiveram acima na faixa de maior consumo de proteína animal. A média da razão nitrogênio-15 foi maior entre homens do que entre mulheres ao longo das eras estudadas. Em números, 1.062 homens frente 492 mulheres estavam nos 10% superiores.
Nas amostras com menor consumo, a diferença se mantém, com 862 mulheres contra 678 homens. Há exceções: em 5% dos sítios, as mulheres tiveram maior acesso a proteínas de origem animal que os homens.
Interpretações e impactos
Especialistas discutem que fatores econômicos e sociais ajudam a explicar o padrão. Refeições em que homens e mulheres comem separadamente podem concentrar itens considerados mais nobres nos homens. Sociedades que valorizam filhos homens também podem influenciar o acesso a carnes, peixes e laticínios para os meninos.
A pesquisa reforça a ideia de que padrões alimentares históricos envolveram dinâmicas de poder e organização social. Os autores ressaltam que mais dados são necessários para entender as variações entre comunidades e períodos.
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