- Médico de Petrolina, em Pernambuco, criou receitas ilustradas para quem não sabe ler, ajudando na compreensão do tratamento.
- Inicialmente ele desenhava símbolos nas receitas; depois, com o engenheiro Davi, nasceu a plataforma Cuidado para Todos, com ícones e biblioteca de figuras para instruções rápidas.
- A solução é gratuita e já chegou a mais de dez municípios e três distritos indígenas, incluindo recursos como QR codes e material audiovisual.
- Exemplo citado é o de Maria das Dores, diabética que passou a entender a insulinoterapia e o controle da glicemia, reduzindo internações.
- Os criadores defendem que o SUS reconheça desigualdades regionais e linguísticas; a iniciativa pode virar prática permanente, conforme relatos dos idealizadores.
Em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, um médico tem feito uma leitura diferente do problema de saúde: a dificuldade de leitura de parte dos pacientes. Lucas Cardim observa que receitas escritas dificultam o tratamento e o acompanhamento.
A iniciativa ganhou projeção nacional ao adaptar as instruções médicas para quem não domina o texto. O objetivo é tornar o uso de remédios mais claro e acessível, reduzindo constrangimentos durante a consulta.
A ideia nasceu na zona rural, em meio a desigualdades. Mesmo com atendimento garantido, muitos pacientes não compreendiam as orientações, o que comprometia a eficácia do tratamento.
Adaptação
Cardim começou desenhando símbolos simples nas receitas, como uma xícara para pela manhã e uma lua para a noite. Marcava quantidades com círculos. A prática, porém, consumia tempo e podia constranger o paciente.
Unindo forças
O médico buscou ajuda de Davi, engenheiro de software que hoje atua no Google, na Suíça. Juntos, criaram a plataforma Cuidado para Todos, com ícones pré-definidos para uso rápido em prescrições.
A plataforma imprime as prescrições e pode gerar imagens para colar nas caixas dos medicamentos, facilitando a compreensão do paciente. O sistema funciona gratuitamente em unidades básicas de saúde.
Desenhando mais saúde
A ferramenta atende principalmente quem tem analfabetismo funcional, baixa escolaridade ou dificuldades com textos médicos. Em alguns casos, inclui QR codes e recursos audiovisuais para explicar o tratamento.
Segundo os idealizadores, a plataforma já alcançou mais de 10 municípios e três distritos indígenas, ajudando na compreensão das orientações terapêuticas.
Inclusão
Os autores defendem que o SUS precisa reconhecer desigualdades regionais e linguísticas para ser verdadeiramente inclusivo. O Ministério da Saúde já oferece pictogramas e materiais padronizados para apoio a profissionais.
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