Em Alta NotíciasPessoasConflitosAcontecimentos internacionaisPolítica

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Queima de madeira para energia é pior para o clima do que o gás, aponta estudo

Estudo em Nature Sustainability mostra que queimar madeira para energia pode emitir mais carbono que o gás, mesmo com captura, contestando subsídios a BECCS no Reino Unido

Drax power station in North Yorkshire is the UK’s main generator of biomass electricity and burns wood for power.
0:00
Carregando...
0:00
  • Pesquisas mostram que queimar madeira para geração de energia pode ter impacto climático maior do que queimar gás, mesmo com captura de carbono.
  • O estudo, feito por cientistas dos Estados Unidos, Reino Unido e China e publicado na revista Nature Sustainability, indica que levaria décadas para a BECCS se tornar negativa em carbono.
  • O atraso ocorre principalmente porque a maior parte das emissões acontece antes da queima na usina e por conta do manejo de florestas ao produzir biomassa.
  • As descobertas questionam planos de governos, incluindo o britânico, de subsidiar ou apoiar financeiramente projetos de captura de carbono ligados à queima de madeira.
  • Mesmo com fontes de resíduos e plantações de rápido crescimento, os modelos mostram que as emissões podem superar os benefícios esperados por muito tempo, levantando dúvidas sobre a viabilidade climática da BECCS.

O estudo questiona a efetividade ambiental da combustão de madeira para geração de energia, mesmo com captura e armazenamento de carbono. Pesquisadores de EUA, Reino Unido e China analisaram BECCS, apontando que pode levar centenas de anos para atingir emissões negativas em muitos cenários.

Segundo a pesquisa publicada na Nature Sustainability, a maior parte das emissões ocorre antes da queima na usina, dificultando a captura. A madeira pode emitir o dobro de carbono por unidade de energia em comparação ao gás fóssil e tem menor eficiência energética.

Os autores destacam que, em plantas com biomassa, o tempo de recuperação de florestas e a conversão de áreas de savana ou pastagens para produção de biomassa reduzem a eficácia do sistema. Em cenários com madeira de resíduos e plantações de rápido crescimento, o atraso para negativas pode persistir por décadas.

Tim Searchinger, líder do estudo, afirma que governos não deveriam subsidiar a queima de madeira de florestas existentes, com ou sem captura de carbono. Ele sustenta que isso eleva emissões ao longo de décadas e aumenta o custo da energia.

Especialistas ambientais também reagiram. Greenpeace UK alerta que derrubar árvores para queima e enterrar emissões não é solução, e destaca impactos globais. O NRDC reforça a necessidade de fontes de energia realmente limpas sem depender de madeira importada.

No Reino Unido, a Drax é apontada como principal geradora de eletricidade a partir de biomassa. A empresa recebeu subsídios significativos no último ano, segundo estimativas divulgadas por um think tank.

A Drax informou que pausa investimentos em BECCS, citando incertezas sobre subsídios governamentais. Em comunicado, a empresa disse que a biomassa deve vir de florestas bem manejadas e monitoradas, com rastreabilidade da cadeia de suprimentos.

O documento aponta que políticas públicas devem passar por reformas. Um porta-voz do Departamento de Energia, Segurança e Net Zero rejeitou as conclusões do estudo, afirmando que ainda não houve decisão final sobre projetos de BECCS e que qualquer apoio precisa trazer retorno aos cofres públicos e cumprir critérios de sustentabilidade.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais