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Unindo os rewilders do mundo: entrevista com Alister Scott

Alister Scott ressalta que a Global Rewilding Alliance reúne quase 300 organizações para conectar ações, ampliar áreas protegidas e acelerar a recuperação climática

American bison and calf in Yellowstone National Park, U.S. Image by Arturo de Frias Marques via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
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  • A Global Rewilding Alliance (GRA) foi criada em 2021 para unir organizações de rewilding e facilitar a colaboração global, conectando quase 300 grupos em seis continentes.
  • A aliança informa que está conectando mais de dois milhões de quilômetros quadrados de terra e seis milhões de quilômetros quadrados de oceano em projetos de restauração.
  • O diretor executivo Alister Scott diz que rewilding busca devolver a natureza seus processos naturais com o mínimo de intervenção e destaca o papel de grandes predadores, herbívoros e animais-chave na saúde dos ecossistemas.
  • Exemplos citados incluem a reintrodução de jaguares e jagartos na região de Iberá, Argentina; recuperação de espécies como lontras gigantes; retorno de castores na América do Norte; e restauração de recifes de coral em áreas marinhas protegidas.
  • Quanto ao futuro, Scott afirma que rewilding pode se tornar política pública e fonte de receita por meio de créditos de carbono, com planos de ampliar estudos de caso ao redor do mundo e apoiar compromissos nacionais de clima (NDCs).

O tema da rewilding ganha espaço globalmente, conectando iniciativas que buscam deixar a natureza atuar sozinha para recuperar ecossistemas. A Global Rewilding Alliance (GRA) atua como ponte entre projetos ao redor do mundo, reunindo quase 300 organizações em seis continentes.

A entrevista com Alister Scott, diretor executivo da GRA, explica a ideia central: permitir processos naturais com intervenção mínima, buscando ecossistemas funcionando de forma integral. O movimento já ajuda a restaurar espécies e serviços ambientais em diversas regiões.

A organização tem como objetivo ainda medir os impactos do retorno de animais selvagens na dinâmica do carbono, com estudos de caso em múltiplos biomas. Os resultados visam embasar políticas públicas e incluir a rewilding nas contribuições nacionais de combate às mudanças climáticas.

Antes de discutir estratégias, Scott descreve a rewilding como diferente da simples conservação ou restauração, enfatizando o papel de animais selvagens na saúde dos ecossistemas e na ciclagem de carbono. A abordagem foca em espaços maiores, conectores ecológicos e predadores como motores de equilíbrio.

O trabalho da GRA também envolve facilitar a troca de conhecimentos entre parceiros, com grupos de trabalho sobre zonas úmidas e pastagens. Pesquisas destacam que recompensar a fauna silvestre pode dobrar, ou até multiplicar até 12 vezes, a capacidade de sequestrar carbono.

Entre exemplos práticos, o jornalista aponta casos como os iberá wetlands na Argentina, onde a reintrodução de predadores e grandes mamíferos tem levado à recuperação de aves, plantas e comunidades inteiras. Projetos como a reintrodução de lontras gigantes são citados como marcos da inovação em rewilding.

Scott ressalta que a prática pode começar em qualquer escala, desde um jardim até paisagens inteiras. O objetivo é evitar extinções, restabelecer números de espécies-chave e garantir espaço para processos naturais como fluxo de água e ciclos de carbono.

A relação com povos indígenas e comunidades locais é destacada como crucial. Quando há controle territorial, a natureza tende a prosperar; parcerias locais ajudam com modelagem econômica e suporte legal, além de potencialmente gerar receitas de carbono para financiar parques nacionais e reintroduções.

Entre os desafios atuais, a GRA identifica financiamento e percepções públicas. Questionamentos na imprensa ou políticas públicas podem atrapalhar, mas a estratégia é dialogar, mostrar resultados práticos e ampliar o alcance da comunicação sobre rewilding.

O futuro apontado por Scott é a adoção mais ampla em proprietários de terras e governos, em linha com metas globais de proteção de ecossistemas. A organização busca transformar a recuperação da natureza em um ativo de investimento para ampliar o fluxo de recursos para conservação.

A entrevista também enfatiza que a rewilding pode trazer benefícios diretos para comunidades, especialmente quando os direitos sobre terras são respeitados. A ciência sugere que a restauração de ecossistemas, aliada à presença de povos tradicionais, tende a manter ecossistemas mais saudáveis.

Conclui-se que a rewilding avança como estratégia cada vez mais integrada a políticas públicas e modelos de financiamento, com foco em ecossistemas mais resilientes, biodiversidade recuperada e serviços ambientais fortalecidos. O ritmo do movimento aponta para uma transformação de longo prazo na gestão territorial.

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