- Relatório da Unesco, divulgado nesta terça-feira, em Paris, ressalta a contribuição de sítios protegidos para pessoas e meio ambiente, com áreas somadas superiores a 13 milhões de km².
- No Brasil, exemplos são o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e o Parque Nacional de Iguaçu, com biodiversidade rica e várias espécies ameaçadas.
- O Lençóis Maranhenses abriga quatro espécies ameaçadas e centenas de plantas, aves e répteis, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas.
- Os sítios da Unesco abrigam mais de sessenta por cento das espécies mapeadas no planeta, guardam cerca de 240 gigatoneladas de carbono e sofrem pressões crescentes, com quase noventa por cento sob alto estresse ambiental.
- O relatório recomenda ampliar ambição e ações em quatro pilares: restauro de ecossistemas, cooperação transfronteiriça, integração aos planos climáticos globais e governança inclusiva com povos indígenas; cada grau Celsius de aquecimento evitado reduz riscos futuros.
A UNESCO divulgou, nesta terça-feira em Paris, um relatório que destaca o papel dos seus sítios protegidos na conservação ambiental e no bem-estar das pessoas. A análise reúne dados globais sobre Patrimônio Mundial, Reservas da Biosfera e Geoparques Mundiais, totalizando mais de 2.260 locais com área superior a 13 milhões de km².
No Brasil, exemplos adotados pelo relatório são o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, que integrou a lista do Patrimônio Mundial em 2024, e o Parque Nacional do Iguaçu, reconhecido desde 1986. O texto cita biodiversidade rica, com milhares de espécies de plantas, aves, mamíferos e invertebrados, além de espécies ameaçadas.
Contribuições e impactos
O estudo aponta que, apesar da queda global de 73% nas populações de animais selvagens desde 1970, as comunidades protegidas pela UNESCO apresentam estabilidade relativa. O relatório indica que esses sítios abrigam mais de 60% das espécies mapeadas no mundo.
Segundo o documento, as áreas protegidas acumulam carbono significativo, estimulado pela absorção de cerca de 240 gigatoneladas, o que equivaleria a quase duas décadas das emissões globais atuais se libertado. Florestas desses sítios respondem por ~15% da captura mundial de carbono.
Desafios e recomendações
O levantamento ressalta pressões crescentes sobre os sítios, com quase 90% enfrentando estresse ambiental e riscos climáticos em expansão. A previsão é de que mais de 25% dos sítios cheguem a pontos críticos de ruptura até 2050, a não ser ações mais robustas.
A UNESCO sinaliza quatro pilares para ampliar a proteção: restaurar ecossistemas; promover cooperação transfronteiriça; integrar sítios aos planos climáticos globais; e adotar governança mais inclusiva junto a povos indígenas e comunidades locais.
Conexão com povos e economia
O relatório revela que os sítios da UNESCO concentram quase 900 milhões de pessoas, cerca de 10% da população global. Documenta-se a existência de mais de mil línguas nesses espaços e que 25% abrangem terras de povos indígenas, com incidência maior na África, no Caribe e na América Latina.
Além disso, a análise aponta que aproximadamente 10% do PIB global é gerado nessas áreas e seus arredores. Um aquecimento de 1°C poderia reduzir à metade o número de sítios expostos a grandes disrupções até o fim do século, segundo o estudo.
Perspectivas
O relatório enfatiza o papel estratégico dos sítios na proteção da biodiversidade e na resiliência climática. O material alerta para a necessidade de ampliar ambição e integração dos sítios em políticas públicas, reforçando ações de proteção de ecossistemas, culturas e modos de vida.
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