- A ferramenta de IA OrcaHello monitora sons do oceano em tempo real para detectar as orcas sulistas, espécie ameaçada, na costa noroeste da América do Norte.
- Segundo o Centro de Pesquisa de Baleias, restam apenas cerca de 76 indivíduos dessas orcas em dezembro de 2025; fatores como a redução de salmão Chinook, poluição sonora e tráfego de embarcações aumentam os riscos.
- O sistema utiliza uma rede de hidrofonos no Puget Sound (Washington) para transmitir áudio submarino, com alertas gerados após revisão de especialistas.
- Os alertas ajudam a pausar obras barulhentas, como pilha-drágea, no Porto de Seattle e a redirecionar o tráfego de barcos, além de orientar a gestão da pesca e a logística de atividades marítimas.
- A equipe planeja ampliar a tecnologia para mais locais e, no futuro, para detectar outras espécies, mantendo o foco nas orcas sulistas e coletando dados para pesquisas sazonais.
O projeto OrcaHello usa inteligência artificial para detectar, em tempo real, a presença das orcas residentes do sul na costa norte do Pacífico americano. A iniciativa analisa sons do oceano para identificar chamadas das orcas e reduzir impactos de atividades costeiras. O objetivo é orientar ações de autoridades e comunidades pesqueiras.
As orcas residentes do sul são um subgrupo em perigo, composto por três podos. Segundo o Center for Whale Research, existem apenas 76 indivíduos ativos até dezembro de 2025. A diminuição da população está associada à queda de salmonídeos, poluição sonora e tráfego de embarcações; há ainda preocupação com consanguinidade.
OrcaHello nasceu em 2019, inicialmente como projeto de hackathon, evoluindo durante a pandemia. O sistema utiliza uma rede de hidrofonos no Puget Sound, em Washington, para transmitir áudio subaquático que a IA monitora. O objetivo é sinalizar apenas chamadas com alta probabilidade de vir das orcas.
A equipe treinou o modelo para reconhecer vocalizações comuns das orcas do sul, evitando falsos positivos. Quando ocorre uma detecção, especialistas revisam o alerta antes da divulgação aos assinantes, com informações adicionais sobre o tipo de chamada e o pod provável.
Os alertas ajudam cientistas e autoridades a reduzir distúrbios, como pausas em obras com ruído intenso. Em Port of Seattle, por exemplo, a detecção pode levar à suspensão de atividades de pilhas de extração de ruído, priorizando obras menos barulhentas nas imediações.
Em muitos casos, os alertas chegam horas antes de a orquestrônica chegar a um local de construção, permitindo reorganizar o cronograma de obras e o tráfego de embarcações. O projeto também gera dados anotados para pesquisas futuras sobre presença sazonal e horários de atividade das orcas.
A equipe pretende expandir a tecnologia para outras regiões e espécies, mantendo o foco atual nas orcas do sul. O objetivo é aprimorar a diferenciação entre tipos de chamadas e ampliar o alcance do sistema conforme avança a pesquisa.
Perspectivas e impactos
O trabalho de OrcaHello já resultou em dias de alerta positivo, com potencial de reduzir distúrbios em áreas sensíveis. Autoridades portuárias, comunidades pesqueiras e organizações de conservação recebem informações para ajustar atividades conforme a presença de orcas.
Conservacionistas destacam que o monitoramento contínuo pode fornecer dados relevantes para políticas públicas e manejo de recursos naturais. A equipe ressalta que o objetivo é compatibilizar atividades humanas com a proteção de um grupo de grande relevância ecológica.
Dados e contexto
A iniciativa se baseia em 138 dias com detecção positiva de orcas desde o início do projeto. A rede de hidrofonos do Puget Sound alimenta o sistema, que opera 24/7 para monitorar chamadas e orientar intervenções. O estudo é feito com parcerias entre pesquisadores, governo e organizações sem fins lucrativos.
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