- O impacto da crise climática não é igual para todos: ele amplifica desigualdades existentes, atingindo áreas de risco e comunidades com menos acesso à proteção.
- Enchentes em Juiz de Fora (Minas Gerais) e em regiões do Paraná evidenciam como pessoas em vulnerabilidade perdem casa, renda e segurança.
- A ONU estima que oitenta por cento das pessoas deslocadas por desastres climáticos são mulheres; um aumento de três graus Celsius na temperatura pode empurrar mais de cento e cinquenta e oito milhões de mulheres e meninas à pobreza até milênios de sessenta até 2050.
- A Organização Internacional do Trabalho aponta que dois bilhões e quatrocentos milhões de trabalhadores, cerca de setenta e cinco por cento da força global, estão expostos a riscos climáticos diretos e indiretos, com impactos na saúde ocupacional e mortalidade.
- Cerca de dois bilhões e um milhões de pessoas não têm acesso a água potável segura; mulheres e meninas costumam sofrer mais com essa carga, especialmente em situações de crise, reforçando a necessidade de políticas que protejam direitos, saúde e educação climática.
A crise climática não afeta a todos da mesma forma. Quando eventos extremos chegam, calor intenso, seca ou chuvas fortes, as desigualdades existentes ganham peso e atingem primeiro quem vive em áreas de risco e com menos acesso a proteção. Essa é a essência da justiça climática.
Dados recentes mostram que enchentes em Juiz de Fora, MG, e em regiões do Paraná evidenciam uma realidade cotidiana: quem já enfrenta vulnerabilidade perde casa, renda e segurança com mais rapidez. Abrigos escassos e instabilidade ganham proporções maiores nesses contextos.
A ONU aponta que 80% das pessoas deslocadas por desastres climáticos são mulheres, e que um aumento de 3°C pode levar mais de 158 milhões de mulheres e meninas à pobreza até 2050. Desigualdades se ampliam, sobretudo em territórios periféricos.
Ao redor do mundo, a Organização Internacional do Trabalho destaca que 2,4 bilhões de trabalhadores, 70,5% da força, estão expostos a riscos climáticos diretos e indiretos. Calor, radiação, poluição do ar e doenças transmitidas por vetores desafiam a proteção ocupacional.
A saúde mental também é impactada. Profissionais de saúde e equipes de resposta a desastres apresentam maior vulnerabilidade a TEPT, ansiedade e depressão após eventos climáticos intensos.
Acesso à água potável é crucial, mas 2,1 bilhões de pessoas não têm água segura. Mulheres e meninas costumam carregar a carga da coleta, aumentando riscos, especialmente quando serviços falham. Abrigos podem ser ambientes de violência.
Desafios e caminhos para a justiça climática
Para reduzir desigualdades, é essencial priorizar quem vive perto do risco, assegurando abrigo, saúde e reconstrução. A adaptação não se resume a infraestrutura; envolve saúde ocupacional, participação pública e educação climática.
Políticas públicas devem nascer das realidades dos mais afetados, especialmente mulheres e pessoas negras, para que decisões reflitam necessidades reais. A adaptação requer responsabilidade central dos governos.
A adaptação raramente gera retorno financeiro direto, mas é indispensável; governos devem encarar como prioridade. Moradia e saneamento precisam incorporar o risco climático, evitando reconstrução em áreas vulneráveis.
Plataformas como a Eunice, do Observatório do Clima, traduzem ciência para linguagem acessível, conectando causas e consequências, preparando educadores e ampliando participação pública.
A justiça climática precisa ser tratada como matriz humanitária, com participação, direitos garantidos, segurança e políticas públicas que atinjam quem mais precisa, com urgência.
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