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Bonobos brincam de chá; chimpanzés raciocinam: humanos e símios mais parecidos

Novos estudos mostram que chimpanzés e bonobos demonstram imaginação, memória social e revisão de crenças, aproximando-os dos humanos.

Kanzi in 2023. He took part in the first experiment to test pretend play in a great ape species.
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  • Um estudo publicado na revista Science mostrou, pela primeira vez, brincadeira de faz de conta em grande símio, com o bonobo Kanzi, de 44 anos, participando de experimentos que avaliavam objetos imaginários e bebidas falsas, incluindo uma tarefa em que ele acertou 34 de 50 escolhas de copos “cheios” versus vazios.
  • Em outra parte dos testes, Kanzi devia indicar qual copo continha suco real; em 14 de 18 tentativas, ele escolheu o copo com suco de verdade, sugerindo compreensão de fantasia versus realidade.
  • Pesquisas recentes apontam que chimpanzés e bonobos lembram de antigos colegas por décadas, e que chimpanzes revisam crenças à medida que surgem evidências mais fortes, demonstrando raciocínio adaptativo.
  • Em campo, orangotangos selvagens já demonstraram comportamentos de cura, como Rakus, um orangotango de Sumatra, que aplicou uma pasta de plantas antibacterianas para tratar uma ferida no rosto.
  • Especialistas destacam que culturas diferentes entre comunidades de símios existem—por exemplo, usos distintos de ferramentas entre grupos de chimpanzés—e defendem considerar a diversidade cultural animal como alvo de conservação.

Kanzí, um bonobo de 44 anos, participou de experimentos em uma instalação dedicada à investigação de comportamento animal em Des Moines, Iowa, em 2024. Em uma mesa de madeira com copos transparentes, ele escolheu uma xícara supostamente cheia de suco em um cenário de chá de fantasia, como parte de testes de brincadeira imaginária. A pesquisa foi publicada na revista Science em fevereiro de 2026.

O estudo, liderado pela psicóloga Amalia Bastos, da Universidade de St Andrews, é o primeiro a documentar o uso de brincadeiras de faz de conta em uma espécie de grande símio. Os experimentos buscaram entender se Kanzi conseguia representar uma realidade além do que era apresentado no momento.

Em uma das tarefas, duas xícaras foram “preenchidas” com suco e outra esvaziada para uma jarra. Kanzi indicou corretamente a cupa com suco em 34 de 50 tentativas, sugerindo compreensão do conceito de bebida imaginária. Em outra série, ele escolhia entre suco real e suco imaginário, acertando 14 das 18 vezes a opção com suco de verdade.

Os pesquisadores destacam que a capacidade de imaginar realidades não está restrita aos humanos. Ao longo de décadas, apes já haviam demonstrado inteligência, resolução de problemas e uso de símbolos, com avanços que desafiam a visão tradicional sobre o que separa humanos de nossos parentes mais próximos.

Avanços sobre a cognição

Além do teste com Kanzi, o trabalho situou a pesquisa recente no contexto de estudos sobre “teoria da mente” em símios. A noção de que outros indivíduos têm pensamentos, desejos e conhecimentos próprios tem ganhado suporte científico, especialmente entre chimpanzés e bonobos.

Entre as descobertas, chimpanzés em cativeiro mostraram a capacidade de revisar suas crenças à luz de novas evidências. Em experimentos, eles mudaram decisões depois de ver evidências mais fortes contrárias às primeiras escolhas.

Pesquisadores destacam que a maior parte da pesquisa sobre habilidades cognitivas de grandes símios é conduzida em ambientes de zoológicos ou santuários, o que oferece dados consistentes ao longo do tempo sobre indivíduos específicos.

Krupenye, coautor do estudo com Kanzi, também investigou memória de longo prazo em chimpanzés e bonobos sob condições controladas. Ao serem apresentados a imagens de ex-colegas e de estranhos, os animais mostraram preferência de olhar por antigos parceiros sociais, mesmo após décadas.

Diversidade cultural entre espécies

A investigação aponta ainda para variações culturais entre comunidades de chimpanzés e bonobos. Estudos mostram que padrões de comportamento social e uso de ferramentas podem diferir entre grupos, o que tem implicações para estratégias de conservação.

Especialistas defendem que proteger a diversidade cultural类 dos grandes símios deve ser considerada em políticas de conservação, não apenas a preservação de espécies. A mudança de comportamento entre comunidades pode exigir abordagens específicas de manejo e proteção.

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