- A espécie Raffles’ banded langur (Presbytis femoralis) é listing como criticamente ameaçada; população global estimada em 200–250 maduros, com menos de 80 em Singapura.
- Em Singapura, a população local cresceu de cerca de 40 em 2011 para aproximadamente 80 hoje, mas o habitat fragmentado continua sendo grande entrave para a dispersão e reprodução.
- Programa de ciência cidadã, iniciado em 2016, envolve mais de 100 voluntários que coletam dados sobre tamanho de grupos, demografia e comportamento para orientar ações de conservação.
- Medidas indicadas incluem enriquecimento de corredores com plantas comestíveis, duas pontes de cabos para atravessar ruas e, no futuro, pontes de passagem maiores para conectar fragmentos florestais.
- Projeção aponta que a população de Singapura pode chegar a cerca de 244 indivíduos até 2071 se houver proteção e re-conexão de habitats, com cooperação entre organizações, autoridades e comunidades.
O programa de ciência cidadã ajuda a reconectar o dossel de Singapore para a lontra-de-fogo? Não. A espécie em foco é o langur-aranha-de-presbytis femoralis, um macaco que se alimenta de folhas e vive em fragmentos de floresta na ponta sul da Península.
Na reserva Lower Peirce, no nordeste de Singapura, pesquisadores e voluntários percorrem a mata de 10 hectares em busca de sinais dos Langures de listras de Raffles. O objetivo é mapear como os grupos se movem pelo território urbano e informar ações de conservação.
A iniciativa nasceu de um plano de ação de 2016, desenvolvido pela Raffles’ Banded Langur Working Group, com parceria entre NParks, Jane Goodall Institute (Singapura), Mandai Nature, NUS e parceiros regionais. O programa envolve mais de 100 voluntários.
Em Singapura, a população de langur-aranha tem recebido atenção por estar criticamente ameaçada pela perda de habitat. Estima-se que haja entre 200 e 250 indivíduos maduros globalmente, com menos de 80 na ilha. A conectividade entre florestas é essencial para evitar endogamia.
Paralelamente, estudos indicam que apenas uma pequena fração das florestas primárias permanece na ilha, e a maior parte da cobertura secundaria é de baixa qualidade para abrigo de espécies arbóreas. A conectividade entre fragmentos é considerada a principal restrição ao crescimento populacional.
Enlaces entre fragmentos e ações locais
Voluntários de campo registram tamanho de grupos, demografia e comportamento, gerando dados que ajudam a traçar rotas de dispersão das languras. Cinco grupos ocupam a área do Lower Peirce Reservoir Park, representando parte relevante da população local.
Entre as ações praticadas, destaca-se o plantio de corredores naturais para ampliar a conectividade entre fragmentos. Árvores e arbustos com folhas comestíveis para languras foram plantados em trechos de mata, favorecendo o alimento e a passagem entre áreas protegidas.
A instalação de pontes suspensas de fibra de nylon reforçada por cabos de aço facilita a travessia sobre estradas, reduzindo o risco de atropelamento. Observações de voluntários ajudaram a mapear pontos de risco e áreas para intervenção.
Impactos da participação comunitária
Com cerca de 900 voluntários treinados, o programa aumenta a conscientização pública sobre os langurus e promove participação cívica na conservação. A cooperação entre cientistas, autoridades e moradores favorece a proteção de habitats conectados.
Especialistas destacam que o sucesso depende de manter, proteger e reconectar áreas florestais. Se as expectativas se confirmarem, a população de Singapura pode crescer de forma estável e ampliar a diversidade genética dos grupos.
Observações de campo mostram que, mesmo sem avistamentos frequentes, a presença de moradores e visitantes na área é fundamental para manter o apoio à preservação. A continuidade do monitoramento é considerada crucial para o futuro da espécie.
Entre na conversa da comunidade