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Mineração ilegal deixou vestígios de mercúrio na Mata Atlântica há 50 anos

Mercúrio persiste no solo 52 anos após garimpo na Mata Atlântica, ameaçando microbiota, animais e saúde humana, pesquisa indica biocarvão como solução de recuperação

Região de mata afetada pelas práticas ilegais de mineração, mostra uma abertura no meio das árvores da floresta que formou um vale de lama acinzentada e grandes poças de água.
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  • Pesquisas em quatro biomas brasileiros indicam que o mercúrio permanece ativo no solo por décadas, com risco à microbiota, a animais e a humanos, já que pode entrar na cadeia alimentar.
  • O estudo da Esalq/USP avaliou solos da Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado e Pantanal, apontando contaminação por mercúrio 52 anos após garimpo na Mata Atlântica e destacando que cerca de 700 toneladas de mercúrio são depositadas anualmente pela mineração ilegal de ouro.
  • Areas garimpadas no Cerrado e no Pantanal ainda recebiam resíduos de mercúrio, enquanto na Mata Atlântica a atividade havia cessado há 52 anos e na Amazônia, por cinco meses.
  • O pesquisador afirma que a mineração ilegal não tem fiscalização adequada e que, mesmo sem exploração atual, o mercúrio permanece e pode afetar a saúde pública.
  • Como solução, os pesquisadores defendem restauração com biocarvão para absorver mercúrio, reduzir a mobilidade do contaminante e reconstruir a comunidade microbiana e a matéria orgânica do solo.

O que aconteceu: estudo conduzido pela Esalq/USP avaliou solos de quatro biomas brasileiros após atividades ilegais de mineração de ouro. A pesquisa revelou que o mercúrio permanece ativo no solo mesmo décadas após o abandono das operações, especialmente na Mata Atlântica. A equipe propõe o uso de biocarvão como estratégia de recuperação e captura do contaminante.

Quem está envolvido: pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, liderados por Matheus Bortolanza Soares. O estudo contou com apoio do CCARBON, Fapesp e Cena, em cooperação com professores da USP e instituições ligadas ao tema. O objetivo é entender a mobilidade do mercúrio e orientar políticas públicas.

Quando e onde: amostras foram coletadas ao longo de anos e avaliadas em quatro biomas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Observou-se que as áreas permaneciam com contaminação mesmo após longos períodos sem atividade garimpeira, incluindo 52 anos de inatividade na Mata Atlântica.

Por que aconteceu e quais os impactos: a contaminação por mercúrio tende a se manter no solo por décadas, representando risco à microbiota, aos animais e à saúde humana pela possibilidade de entrada na cadeia alimentar. A pesquisa também analisou como chuvas e secas afetam a reposição de matéria orgânica e o microbioma do solo.

A persistência da contaminação: entre as áreas estudadas, Cerrado e Pantanal ainda eram garimpados e recebiam resíduos de mercúrio. Amazônia ficou inativa por cinco meses; Mata Atlântica, 52 anos. O mercúrio continua ativo no solo, ampliando riscos para ecossistemas e para comunidades locais.

Restauração proposta: para recompor o solo, a pesquisa sugere priorizar a reconstrução de matéria orgânica, reduzir a mobilidade do mercúrio e preservar a diversidade funcional microbiana. O biocarvão é apresentado como primeira estratégia, por absorver mercúrio, repor carbono e melhorar a água no solo.

Como o biocarvão ajuda: o material, rico em carbono, atuaria como esponja ao capturar o mercúrio e reduzir sua toxicidade. A técnica seria base para ações de recuperação em áreas mineradas, alinhando sustentabilidade e proteção da saúde pública.

Perspectivas e próximos passos: o estudo aponta caminhos para políticas públicas e para a formação de estratégias de restauração de longo prazo, com uso de soluções baseadas na química ambiental e no conhecimento sobre microrganismos nativos do solo.

Fontes e contato: estudo publicado no Journal of Hazardous Materials, com apoio de CCARBON, Fapesp e Cena. Informações adicionais podem ser obtidas com Matheus Bortolanza Soares.

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