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Bioeconomia em áreas degradadas impulsiona produção sustentável no Pará

Belterra usa SAF na zona rural de Canaã dos Carajás, com apoio da Vale e do BNDES, conectando produtores a créditos de carbono e movendo a bioeconomia local

Fazenda-laboratório da Belterra Agroflorestas, no Pará. Foto: Washington Alves/Light Press
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  • Fazenda-laboratório São Francisco, em Canaã dos Carajás, Pará, usa sistema agroflorestal para cultivar cacau sob sombra de bananeiras, restaurando pastagens.
  • Belterra Agroflorestas recebe apoio da Vale desde 2020 e, mais recentemente, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) via Fundo Clima, conectando produtores ao mercado de créditos de carbono.
  • Embrapa tem mais de quarenta projetos de bioeconomia na Amazônia, com foco em guaraná, cacau, castanha, grãos e carne, sempre com balanços de carbono positivos.
  • Em Palmares II, Parauapebas, cerca de trinta e três produtores da Aprovipar plantam mandioca; Casa de Farinha deve processar a raiz para transformar em farinha, fortalecendo a agroecologia.
  • A bioeconomia na região movimenta bilhões de reais, incluindo R$ 13,5 bilhões por ano no Pará, impulsionada por cadeias ligadas à floresta, rios e agricultura familiar; há desafio de integração entre projetos.

A bioeconomia avança em áreas degradadas do Pará por meio de agroflorestas e agroecologia. Na zona rural de Canaã dos Carajás, a Belterra Agroflorestas opera uma fazenda-laboratório chamada São Francisco, dedicada à restauração de pastagens com SAF para o cultivo de cacau. O projeto integra espécies florestais, bananeiras e árvores de sombra para favorecer o cacau.

A iniciativa recebe apoio financeiro desde 2020 da Vale e, recentemente, do BNDES via Fundo Clima. O foco é recuperar áreas degradadas, ampliar a produção regional e conectar pequenos e médios produtores a mercados de créditos de carbono, fortalecendo a economia local sem comprometer a floresta.

Produção sustentável

Na região amazônica, a plataforma Jornada Amazônia registra 789 startups com impacto positivo na floresta. Além delas, cadeias ligadas à bioeconomia, à agroecologia e à agricultura familiar fortalecem a renda, especialmente no Pará. Embrapa desenvolve mais de 40 projetos voltados à bioeconomia na região.

Entre as ações, destacam-se iniciativas envolvendo guaraná, cacau, castanha, grãos e produção de carne com balanços de carbono favoráveis. Um dos projetos envolve melhoramento genético do açaí, considerado estratégico para comunidades locais, segundo a Embrapa.

A Embrapa enfatiza que é possível manter a biodiversidade enquanto se obtém produção agrícola sustentável. A ideia é preservar a floresta em pé e utilizar seus recursos de modo responsável para equilíbrio hídrico e mudanças climáticas, apoiada por ciência, tecnologia e inovação.

Assentamento Palmares II

Em Parauapebas, no antigo assentamento do MST Palmares II, produtores iniciam o plantio de mandioca. Cerca de 33 produtores da Aprovipar somam forças, com apoio da Vale, para fortalecer a agricultura familiar e a agroecologia. A primeira etapa envolve a Casa de Farinha, que processa mandioca para farinha.

O objetivo é valorizar a produção local e facilitar o beneficiamento para ampliar o escoamento, reduzindo a dependência de produtos derivados importados. O processo inclui descascamento, lavagem, prensagem, escaldagem e torra da mandioca produzida na região.

Segundo a diretoria da associação, o plantio começou no final de 2024 e a mandioca leva cerca de 18 meses para ficar pronta. Em paralelo, a agroecologia é adotada para evitar o uso de agrotóxicos e fortalecer a produção sustentável.

Bioeconomia no Pará

A Belterra Agroflorestas e o projeto de mandioca exemplificam a tendência de bioeconomia, com uso sustentável de recursos naturais. A bioeconomia é vista como motor de desenvolvimento, associando conservação ambiental a atividades econômicas.

Dados indicam que, somente no Pará, a bioeconomia da sociobiodiversidade movimenta bilhões de reais por ano, impulsionada por cadeias ligadas à floresta, aos rios e à agricultura familiar. O impacto positivo estimula investimentos públicos e privados na região.

Integração entre iniciativas é apontada como desafio. Especialistas destacam que projetos na Amazônia ainda aparecem de forma fragmentada e sem coordenação suficiente. A necessidade é de institucionalidade e previsibilidade para ampliar os ganhos.

Políticas públicas vêm ganhando espaço. O governo federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, com foco em transformar ativos ambientais em alavancas de prosperidade. Organizações reforçam a importância de foco e inclusão social.

Estratégia inclusiva

Especialistas destacam que a bioeconomia pode integrar inovação científica com conhecimento tradicional para promover biodiversidade, desenvolvimento rural e descarbonização industrial. O objetivo é evitar impactos sociais negativos e assegurar justiça para comunidades locais.

Ao considerar a atuação em áreas tradicionais, a recomendação é adotar abordagens que promovam inclusão social. O foco é garantir que ganhos econômicos não ocorram à custa de culturas locais ou de populações tradicionais.

A repórter viajou a convite da Vale para acompanhar as iniciativas. As informações são apresentadas com base em fontes oficiais, estudos e pronunciamentos de especialistas. Crédito de imagem: Belterra e parceiros.

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