- Estudo da USP revela desregulação conjunta entre sistema imune e neurônios em pacientes com depressão, sugerindo que genes tradicionalmente ligados a sinapses também atuam no sistema imunológico.
- Foram analisados transcriptomas de três mil e setenta e dois indivíduos, com identificação de dezoito genes relacionados à sinapse que se mostraram alterados entre leucócitos e regiões cerebrais.
- Dentre eles, sete genes ligados à sinapse — BCR, NSMF, PICK1, MX1, MDGA1, MYLK e GNB3 — estiveram associados à regulação do humor, com presença compartilhada entre leucócitos periféricos e áreas cerebrais.
- A pesquisa aponta potencial para biomarcadores que ajudam a diagnosticar o tipo e o grau do Transtorno Depressivo Maior, além de abrir caminhos para novas abordagens terapêuticas.
- Os autores destacam que a depressão pode ser uma doença sistêmica, influenciando o corpo inteiro, o que reforça a importância de abordagens integradas entre cérebro e imunidade no diagnóstico e no tratamento.
Foi revelado um estudo da USP que aponta desregulação de genes ligados a sinapses tanto em neurônios quanto em células de defesa, no contexto da depressão. A pesquisa foi publicada na Scientific Reports e tem como primeira autora Anny Silva Adri, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas.
Os pesquisadores analisaram o transcriptoma de 3.072 pessoas, com dados oriundos de bancos públicos dos EUA, Alemanha e França. O objetivo foi identificar genes com funções alteradas em leucócitos e relacioná-los a redes neurais.
Entre os achados, 1.383 genes apresentaram alterações em leucócitos, incluindo 73 ligados a sinapses. Deste grupo, 18 genes distinguiram pacientes com transtorno depressivo maior (TDM) de indivíduos saudáveis com alto grau de precisão.
Genes de sinapse como parte da resposta imune
Sete genes de sinapse, compartilhados entre leucócitos e regiões cerebrais, estiveram associados à regulação do humor. Entre eles estão BCR, NSMF, PICK1, MX1, MDGA1, MYLK e GNB3, cruciais para a organização sináptica.
As regiões cerebrais analisadas incluíram ACC, aINS, Cg25, DLPFC, Nac, OFC e Sub. A associação entre essas regiões e os sete genes sugere vias que ligam humor e imunidade.
Implicações para diagnóstico e tratamento
A rede de doenças ligada aos genes estudados também se relaciona a transtornos de humor, doenças autoimunes e cardiovasculares. Esses padrões indicam que vias relevantes para o TDM podem ter funções mais amplas no organismo.
A equipe ressalta que o estudo cria bases para biomarcadores que ajudem a detectar o tipo e o grau de depressão, além de abrir caminhos para novas abordagens terapêuticas.
Perspectivas futuras e continuidade da pesquisa
A pesquisadora Anny Adri aponta que o trabalho incentiva o desenvolvimento de tratamentos que observem o estado inflamatório dos pacientes. A ideia é combinar visão cerebral e imune para criar opções terapêuticas mais eficazes.
O pesquisador Otávio Cabral Marques afirma que a depressão pode ser vista como doença sistêmica, enfatizando a necessidade de cuidado integral da saúde mental. A continuidade envolve estudos com mais integração entre dados cerebrais e imunes.
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