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Cigarro eletrônico impulsiona retorno do tabagismo no Brasil

Aumento de fumantes jovens em doze meses é ligado ao cigarro eletrônico; especialistas alertam para maior nicotina e danos à saúde, impactos no SUS

Consumo de vape: especialistas apostam em conversas presenciais para alertar os usuários dos riscos - (crédito: Eva Hambach/AFP)
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  • Brasil registra aumento de fumantes jovens: 9,2% em 2023 para 11,5% em 2024, com linguagem ligada ao crescimento do uso do cigarro eletrônico ( vape ).
  • Nicotina do cigarro eletrônico é cerca de 20 vezes maior do que a do cigarro comum, segundo o professor da UnB.
  • Caso de Laura Beatriz Nascimento, sobrevivente de câncer de pulmão causado pelo vape: começou na adolescência; hoje, 1 ano e 4 meses sem fumar após tratamento e relatos de dificuldade na recuperação.
  • Cigarro provoca inflamação crônica nos pulmões; aproximadamente 5.200 substâncias inaladas. Danos ao SUS chegam a R$ 153,5 milhões por ano; mais de 145 mil mortes anuais no Brasil por doenças relacionadas ao tabaco.
  • O SUS oferece aconselhamento breve de saúde (em torno de cinco minutos) para evitar início ou incentivar abandono; tratamento inclui psicoterapia cognitivo-comportamental e medicação. Mercado ilegal do tabaco representa cerca de 32% das vendas, com evasão fiscal de R$ 105 bilhões nos últimos 12 anos.

O tabagismo volta a preocupar a saúde pública no Brasil, impulsionado pelo uso de cigarros eletrônicos entre jovens. Dados do relatório Vigitel Brasil 2006-2024 indicam aumento no índice de fumo entre menores de 18 anos, com 9,2% em 2023 e 11,5% em 2024. A mudança envolve o cigarro comum e o vape.

Especialistas apontam que o cigarro eletrônico concentra nicotina muito acima da encontrada no cigarro tradicional, o que eleva o risco de dependência. Médicos da área destacam que a popularização de dispositivos vaporizadores entre jovens contribuiu para a retomada do consumo de nicotina no país.

Entre os relatos de pacientes, uma jovem sobrevivente de câncer de pulmão associou a doença ao uso do vape. Ela iniciou com fumantes adolescentes e, após tentar abandonar o tabaco, migrou para o cigarro eletrônico. Em 2024, aos 26 anos, teve parte do pulmão direito removida.

Além do impacto na saúde, a história da paciente reforça a dificuldade de abandonar o tabagismo. Ela relata longos episódios de abstinência e a necessidade de adaptar a rotina após a cirurgia, mantendo-se sem fumar por mais de um ano.

O cigarro afeta principalmente o pulmão porque o órgão não metaboliza várias substâncias presentes na fumaça. Estima-se que cerca de 5.200 substâncias são inaladas durante o ato de fumar, provocando inflamação crônica e diversas doenças.

O custo do tabagismo para o Sistema Único de Saúde é estimado em 153,5 milhões de reais por ano. No Brasil, mais de 145 mil mortes anuais estão associadas ao uso de tabaco, cerca de 477 pessoas por dia, incluindo casos de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, doenças cardíacas e câncer de pulmão.

Aconselhamento e tratamento

Uma pesquisa do Inca aponta que uma conversa de até 5 minutos com um profissional de saúde pode evitar a iniciação e ampliar as chances de abandono do tabagismo. Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas não recebem orientação sobre o tema em consultas.

Profissionais destacam a importância do acolhimento e do diálogo no atendimento a pacientes fumantes. A interrupção do tabagismo pode ocorrer com acompanhamento médico, aliado a terapias comportamentais e, quando indicado, uso de reposição de nicotina ou medicação.

Tratamentos no SUS envolvem sessões de psicoterapia cognitiva-comportamental associadas a medicamentos ou reposição de nicotina, conforme cada caso. O objetivo é reduzir a dependência e favorecer a cessação do consumo de nicotina.

Indústria do tabaco e mercado ilegal

Apesar das ações de enfrentamento, a indústria do tabaco sustenta que restrições legais impulsionam o mercado ilícito. Sindicatos de Bahia e Rio Grande do Sul protocolaram ao STF uma petição sobre regras da Anvisa para ingredientes de produtos fumígenos.

Dados apresentados ao STF indicam que o mercado ilegal responderia por cerca de 32% das vendas de cigarro, com evasão fiscal estimada em 105 bilhões de reais nos últimos 12 anos. As informações reforçam o debate sobre o equilíbrio entre fiscalização e acesso a soluções de saúde.

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