- Estudo internacional com participação da USP mostra que compostos das folhas da copaíba (Copaifera lucens) apresentam ação antiviral tripla contra o SARS-CoV-2.
- O mecanismo de ação tripla atua em três frentes: bloqueio da entrada viral (até 80%), interrupção da replicação ao inibir a proteína RdRp (até 85,6%) e efeito virucida direto (até 93%).
- O índice de seletividade (SI) dos compostos é de cerca de 102, indicando bom equilíbrio entre eficácia antiviral e segurança para células humanas; Remdesivir e Molnupiravir têm SI entre 30 e 80 em comparação.
- Os testes foram in vitro e por simulações, sendo ainda necessários estudos pré-clínicos e ensaios em humanos; estudo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
- As folhas analisadas foram coletadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro; a pesquisa envolve o professor Jairo K. Bastos (USP) e reforça o valor da biodiversidade brasileira para a ciência.
A pesquisa internacional, com participação da USP, revelou que compostos das folhas da copaíba, Copaifera lucens, apresentam um mecanismo de ação tripla contra o SARS-CoV-2. O estudo foi publicado em fevereiro na Scientific Reports.
As folhas foram coletadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Os autores destacam que os compostos neutralizam o vírus em várias etapas do ciclo viral, aumentando o potencial terapêutico e reduzindo a chance de resistência.
O trabalho envolve o pesquisador Jairo K. Bastos, da USP, e especialistas do Egito, República Tcheca e Espanha. A atuação multifuncional dos ácidos galoilquínicos (GQAs) foi o destaque principal da pesquisa.
Mecanismo de ação
Os GQAs atuam em três frentes: bloqueiam a entrada viral, reduzindo até 80% a ligação do vírus às células humanas; inibem a replicação ao interferir na proteína RdRp, com até 85,6% de eficácia; e exibem efeito virucida direto, destruindo partículas virais antes da entrada, com até 93% de inibição.
A combinação desses efeitos é apontada como promissora, pois pode reduzir a chance de o vírus desenvolver resistência a antivirais que atuam apenas em uma proteína viral. O estudo também aponta alto índice de seletividade, em torno de 102.
Segundo a equipe, o uso de uma abordagem integrada facilita compreender o funcionamento dos compostos em nível molecular. Um especialista da Delta University for Science and Technology comenta a importância da visão holística.
Comparativamente, antivirais já usados na COVID-19, como Remdesivir e Molnupiravir, apresentam índices de eficácia entre 30 e 80, ressaltam os pesquisadores. Os números sugerem boa relação entre atividade antiviral e segurança celular.
Próximos passos
Apesar do otimismo, os cientistas destacam que os resultados são in vitro e baseados em simulações. Para avançar para medicamento, são necessários estudos pré-clínicos e ensaios em humanos.
O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e reforça a importância da preservação ambiental. A pesquisa evidencia ainda o valor da biodiversidade brasileira para a ciência global.
Entre na conversa da comunidade