- Estudo da Universidade de Cambridge aponta que macacos-de-Gibraltar praticam geofagia, consumo deliberado de terra, para atenuar desconfortos de uma dieta rica em alimentos industrializados.
- A pesquisa, publicada na Scientific Reports, acompanhou cerca de 230 indivíduos em oito grupos entre 2022 e 2024 e registrou 46 episódios de geofagia, mais comuns em áreas com alto fluxo de visitantes.
- A prática parece aprendida socialmente, ocorrendo com frequência na presença de outros e permitindo que jovens imitem adultos.
- A pesquisa também descreve a origem norte-africana da espécie Macaca sylvanus, sua presença em Gibraltar, e os riscos atuais de conservação, incluindo perda de habitat e comércio ilegal de filhotes.
O estudo realizado por cientistas da Universidade de Cambridge aponta que macacos-de-Gibraltar praticam geofagia, o consumo deliberado de terra. A prática aparece como resposta a uma dieta rica em alimentos industrializados.
A pesquisa, publicada na Scientific Reports, sugere que a geofagia atua de modo proporcional a um antiácido humano, ajudando a aliviar desconfortos digestivos e a lidar com toxinas de lanches açucarados oferecidos ou tomados de turistas. O foco é a relação entre dieta e microbioma.
O estudo acompanhou cerca de 230 macacos, distribuídos em oito grupos entre 2022 e 2024, identificando 46 episódios de geofagia. O comportamento ocorreu principalmente em áreas com maior fluxo de visitantes.
A análise indica que grupos sem acesso a comida humana não apresentaram o hábito. Observou-se ainda que a prática tem forte componente social, com jovens imitanto os mais velhos na presença de outros indivíduos.
Sylvain Lemoine, antropólogo biológico da universidade e autor principal, explica que a comida humana pode desencadear desconfortos estomacais e impactos no microbioma. A geofagia seria uma resposta para amenizar a digestão difícil.
A pesquisa reforça que, apesar de raro, o comportamento é mais comum em áreas com turismo intenso. Os autores destacam a importância de entender como a exposição a alimentos humanos molda a saúde digestiva desses primatas.
Macaco-de-Gibraltar, conhecido cientificamente como Macaca sylvanus, é o único primata não humano sedentário na Europa. A espécie tem origem no Norte da África e vive em grupos sociais estáveis, com interação entre machos, fêmeas e filhotes.
Contexto histórico aponta que Gibraltar recebeu reintrodução de exemplares vindos do Marrocos e da Argélia durante a Segunda Guerra Mundial. A população local é monitorada por programas de conservação e reflorestamento.
Para a conservação, pesquisadores ressaltam a necessidade de reduzir o contato direto com alimentos humanos. A prática de geofagia, porém, mantém-se como tema relevante para compreender a saúde digestiva desses primatas.
Fonte: Scientific Reports.
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