- Microrredes com energia solar e baterias passam a fornecer eletricidade 24 horas em comunidades isoladas da Amazônia, reduzindo o uso de diesel.
- O governo aprovou 29 projetos, que devem atender 650 mil pessoas e evitar 800 mil toneladas de CO₂ até 2036, com economia de subsídios estimada em US$ 171 milhões.
- Em Três Unidos, a microrrede reduziu o consumo de diesel em cerca de 1.800 litros por mês e viabilizou refrigeração, turismo e pagamento com cartão de crédito.
- Em Santa Helena do Inglês e em Tumbira, projetos conectam escola, posto de saúde e infraestrutura, com apoio da UCB Power; em Tefé, o sistema híbrido recebe tecnologia da Huawei e deve entrar em operação em dois anos.
- Aproximadamente 1,2 milhão de pessoas vivem em áreas não urbanas da Amazônia, e especialistas destacam a necessidade de modelos de financiamento para ampliar as microrredes.
Amazônia abriga uma diversidade de ecossistemas e funciona como reservatório de carbono. No Brasil, a matriz elétrica é considerada a mais limpa entre os grandes emergentes, devido à presença de grande volume de energia hidrelétrica, muitas das quais na região.
No entanto, muitas comunidades isoladas não têm acesso à rede elétrica. Em áreas remotas, sem vias de acesso, a construção de linhas é inviável, o que sustenta o uso de diesel para geração de energia.
O diesel é transportado por barco até centenas de usinas locais e geradores espalhados pela floresta. Dados oficiais indicam gasto anual de cerca de US$ 2,4 bilhões com subsídios para esse sistema no Brasil.
Mudança em curso
Painéis solares e baterias de lítio começam a transformar a região ao complementar ou substituir o diesel, sob políticas federais, queda de custos tecnológicos e apoio filantrópico para microrredes.
O Ministério de Minas e Energia aprovou, no ano passado, 29 projetos para atender 650 mil pessoas. A previsão é evitar 800 mil toneladas de emissões até 2036 e reduzir subsídios em cerca de US$ 171 milhões.
Entre as diferenças com a rede nacional, as emissões por megawatt-hora são muito maiores nos sistemas isolados, com cerca de 0,67 tCO2e, ante 0,04 tCO2e na rede principal, segundo estimativas da BloombergNEF.
Em Tefé,Aggreko integra geração solar, armazenamento em baterias e diesel, com tecnologia da Huawei. O projeto híbrido deve operar nos próximos dois anos, ampliando a confiabilidade energética local.
A UCB Power instalou em Maués um sistema híbrido menor, combinando solar com armazenamento para reduzir custos. Executivos destacam retorno econômico aliado à competitividade da energia.
Experiências locais e impactos
Em Três Unidos, comunidade Kambeba, o sistema passou a fornecer energia contínua, permitindo refrigeração e atividades produtivas. O consumo de diesel caiu substancialmente, e o turismo local ganhou fôlego com energia estável.
A implantação foi financiada com apoio de entidades alemãs, por meio de cooperação internacional, em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável. A comunidade administra o sistema com apoio técnico de fornecedores.
Em Santa Helena do Inglês, a microrrede já opera desde 2021 e ganhou atualização recente para abastecer uma fábrica de gelo, reduzindo custos para pescadores locais que não precisam mais viajar para Manaus.
Outras comunidades, como Tumbira, também passam a receber infraestrutura pública, com a assistência de parceiras como a UCB Power, que testa baterias de diferentes tecnologias para o clima amazônico.
Perspectivas
Especialistas apontam a necessidade de modelos de financiamento mais viáveis para ampliar a adoção em comunidades menores, que não contam com recursos para investir de forma independente.
Alguns moradores relatam benefícios diretos, como maior permanência de turistas, lojas que aceitam cartão e melhoria no fornecimento de água e educação, ao conectar escolas e postos de saúde a energia confiável.
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