- A hipertensão arterial é o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares; cerca de 1,4 bilhão de adultos vivem com a condição no mundo, e apenas um em cada cinco consegue controlar a pressão adequadamente.
- Sem controle, há maior risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal; fatores incluem desconhecimento, acesso aos serviços de saúde, adesão ao tratamento e uso correto de medicamentos.
- A iniciativa HEARTS, presente em 28 países das Américas, atende mais de 6 milhões de pessoas com uma taxa de controle de 60%, demonstrando eficácia do diagnóstico e tratamento sistemáticos.
- No Brasil, estima-se que 30% dos adultos convivam com hipertensão; nas capitais, a prevalência é ligeiramente maior entre mulheres (29,3%) do que entre homens (26,4%), apontando desafio de saúde pública.
- Diretrizes recentes enfatizam detecção precoce e controle rigoroso, com meta geral de pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg, uso de escore PREVENT para risco cardiovascular e, quando necessário, terapia combinada com dois anti-hipertensivos, além de foco em mudanças no estilo de vida (redução de sódio, dieta DASH, atividade física, controle de peso, não fumar e reduzir álcool).
A hipertensão arterial é hoje reconhecida como principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares. Sem acompanhamento, pacientes ficam mais expostos a infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal. Dados da OMS apontam 1,4 bilhão de adultos com pressão alta, com apenas 20% mantendo controle adequado.
A situação tem causas multifatoriais: desconhecimento, dificuldades de acesso a serviços de saúde e medicamentos, adesão irregular ao tratamento e manejo inadequado pelo sistema de saúde. Em Américas, iniciativas como HEARTS ampliam o acesso a cuidados, com 60% de controle em 28 países, segundo a PAHO.
No Brasil, estima-se que 30% dos adultos convivam com hipertensão. Nas capitais, a prevalência é ligeiramente maior entre mulheres (29,3%) do que entre homens (26,4%). Pesquisas da Socesp na capital e interior revelam lacunas no acompanhamento e na compreensão do valor da pressão como indicador de saúde.
Entre homens, 26% não mediram a pressão no último ano; entre mulheres, 21%. Ao perguntar se lembravam dos Valores aferidos, 25% não conseguiam recordar. Quase metade dos homens relatou níveis elevados, e 44% apontaram valores dentro da normalidade. Entre as mulheres, 27% sinalizaram pressão alta e 48% níveis normais.
O que dizem as diretrizes mais recentes
A diretriz brasileira atualiza critérios de detecção precoce, definindo pré-hipertensão entre 120-139 mmHg (sistólica) ou 80-89 mmHg (diastólica). O objetivo é iniciar intervenção antes da progressão. A meta é manter abaixo de 130/80 mmHg, com uso do escore PREVENT para calcular o risco.
A ESC (Europa) destaca abordagem personalizada, investigando causas como hiperaldosteronismo primário, recomendando estratégias terapêuticas escalonadas. Nos EUA, diretrizes de 2023-2024 sugerem rastrear causas secundárias em pacientes com doença renal crônica, diabetes ou histórico de eventos cardíacos.
O uso do escore PREVENT é enfatizado, com início de terapia combinada em muitos casos para controle eficaz da pressão. A prevenção continua baseada em mudanças de estilo de vida, como redução de sódio, prática de atividade física e controle de peso.
Caminho da prevenção e do controle
Reduzir o consumo de sódio para até 2 g por dia é uma das medidas mais eficazes. A dieta DASH, rica em frutas e vegetais, também reduz a pressão arterial. A prática regular de atividade física, o controle do peso, a cessação do tabagismo e a moderação do álcool são pilares-chave.
As diretrizes destacam iniciar intervenções já em pessoas com 120/80 mmHg ou mais, especialmente quando o risco é elevado. Quando há comorbidades, a terapia medicamentosa pode começar precocemente.
Estudos da Socesp apontam que é necessário ampliar a medição regular da pressão, o conhecimento dos valores e a compreensão de seu significado. A hipertensão é silenciosa, mas seus impactos não são. O caminho para o controle envolve informação, prevenção e acompanhamento contínuo.
Andrei Sposito e Fernanda Consolim Colombo assinam o conteúdo, com ênfase na prática clínica associada à hipertensão.
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