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Perda de florestas tropicais cai, mas danos equivalem a 11 campos por minuto

Brasil lidera a queda global em 2025, com queda de 42,4%, mas incêndios mantêm desmatamento acima da meta para 2030

Encosta de um morro coberta por árvores do lado esquerdo e desmatada do lado direito
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  • A perda de florestas tropicais primárias caiu 36% em 2025, totalizando 4,3 milhões de hectares, o equivalente a mais de 11 campos de futebol por minuto.
  • Mesmo com a queda, o nível de destruição permanece 70% acima do limite compatível com a meta global de interromper a perda até 2030.
  • O Brasil foi o principal impulsionador da redução, com queda de 42,4% na perda, atingindo o menor nível já registrado de perda não associada a incêndios, porém 1,63 milhão de hectares foram perdidos no país, representando cerca de 42% do total global.
  • Em 2025, a maior parte da perda esteve associada a incêndios, e não apenas à conversão direta da floresta, destacando a influência das mudanças climáticas.
  • Diferenças regionais indicam que políticas públicas funcionam em alguns lugares, mas é necessário ampliar governança e ações para tornar as florestas mais resistentes.

O mundo registrou queda de 36% na perda de florestas tropicais primárias em 2025, fechando o ano com 4,3 milhões de hectares destruídos. O recuo ocorreu mesmo após um período de incêndios intensos em 2024, segundo dados do Global Forest Watch, com base na Universidade de Maryland. A taxa ainda fica 46% acima do que era observado há uma década e cerca de 70% acima do limite compatível com a meta de zerar o desmatamento até 2030.

O recuo global ocorreu principalmente graças ao Brasil, que liderou a redução. Em 2025, o país cortou em 42,4% as perdas de florestas tropicais primárias, atingindo o menor índice já registrado de perda não associada a incêndios. Mesmo assim, o Brasil concentrou 1,63 milhão de hectares de perda, aproximadamente 42% do total mundial.

A maior parte da queda no Brasil ocorreu na Amazônia Legal, com reduções expressivas nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Acre e Roraima. Por outro lado, Maranhão teve alta e Rondônia manteve níveis elevados de pressão desmatadora.

Além da mudança de perfil, o estudo aponta que a maior parte da perda em 2025 esteve ligada a incêndios, não apenas à conversão direta de floresta. Eventos de fim de 2024, detectados por satélite no ano seguinte, reforçam a vulnerabilidade das florestas a regimes climáticos extremos.

Governança e despesas

A análise técnica associa a queda brasileira ao fortalecimento da governança ambiental desde 2023, incluindo o relançamento do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal e aumento da fiscalização. Houve alta de 81% nos autos de infração e 63% nas multas aplicadas pelo Ibama.

Entretanto, especialistas alertam que o cenário é frágil. A avaliação aponta que a paisagem está mais inflamável e que apenas fiscalização pode não ser suficiente para conter o risco de incêndios. A recomendação é ampliar a escala de ações e buscar formas de remunerar as florestas em pé.

Variações regionais

Na Colômbia, a perda recuou 17% graças a políticas públicas, fortalecimento de territórios indígenas e novas regras de rastreabilidade da cadeia pecuária. Na Indonésia, houve aumento de 14%, associado à expansão agrícola e de mineração, especialmente para níquel e segurança alimentar.

Na Malásia, políticas voltadas ao óleo de palma contribuíram para manter baixos os índices de perda. Bolivia registrou a segunda maior perda mundial, com forte influência de incêndios e expansão agropecuária. Peru e Laos reduziram 8% e 31%, respectivamente, mantendo-se entre os grandes hotspots.

Bacia do Congo e linhas metodológicas

Na África Central, a dinâmica difere da Amazônia e do Sudeste Asiático. A República Democrática do Congo registrou a terceira maior perda global em 2025, impactada por cultivo itinerante, conflitos armados e uso de lenha.

Os dados do Global Forest Watch medem perda de cobertura arbórea, um conceito mais amplo que o desmatamento. Assim, podem incluir degradação e perdas temporárias, o que explica divergências em relação a sistemas nacionais que medem apenas o desmatamento consolidado.

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