- A transição energética global atingiu ponto de inflexão, com queda na geração de eletricidade a partir de fósseis em países desenvolvidos e emergentes.
- Em 2025, economias fora da OCDE, como China e Índia, também registraram queda, enquanto todos os 38 países da OCDE já haviam ultrapassado o pico de geração fóssil.
- O plano SMART (Santa Marta Action Repertoire) traz 12 ações práticas para governos, buscando transformar evidências científicas em políticas e acelerar a saída dos fósseis com foco em transição justa.
- A Colômbia apresentou roteiro nacional para cortar 90% do uso de combustíveis fósseis até 2050, estimando custos de US$ 10,6 bilhões por ano, com benefícios estimados de US$ 23 bilhões anuais.
- No Brasil, a presidência da COP30 recebeu 444 contribuições para dois roteiros, sendo 267 voltadas ao plano de transição energética; documentos finais devem ser apresentados até a COP31, em Antália.
A transição energética global atingiu um ponto de inflexão: a geração de eletricidade a partir de combustíveis fósseis caiu em economias desenvolvidas e emergentes. Ao mesmo tempo, recomendações científicas orientam governos na saída do petróleo, gás e carvão. Dados recentes reforçam esse movimento.
Mais de 400 cientistas se reuniram em Santa Marta, na Colômbia, para apresentar um plano de ações. O painel, liderado por nomes como Carlos Nobre e Johan Rockström, busca transformar evidências científicas em políticas públicas.
Segundo a Ember, 38 países da OCDE já passaram do pico fóssil em 2025. Pela primeira vez, grandes economias fora do bloco, como China e Índia, também registraram queda. A tendência é impulsionada pela redução dos custos de energia renovável.
Santa Marta: o plano SMART
O conjunto de recomendações, denominado SMART (Santa Marta Action Repertoire), traz 12 ações práticas para governos. Entre elas, planos nacionais para eliminação gradual dos fósseis e estratégias para substituir receitas em países dependentes.
Os especialistas defendem adaptar roadmaps às realidades de cada nação, com participação local e foco em transição justa. Propostas incluem alívio de dívida, reforma de subsídios e criação de zonas livres de exploração.
A ênfase na redução rápida de emissões de metano é destacada como essencial para evitar impactos agudos no curto prazo. Setores petroquímicos também devem integrar as estratégias de transição.
Colômbia avança com roteiro nacional
A Colômbia divulgou, no primeiro dia da conferência, um roteiro para cortar 90% do uso de combustíveis fósseis até 2050. Estima custos de cerca de US$ 10,6 bilhões por ano, com benefícios estimados em US$ 23 bilhões anuais.
Esse movimento ocorre paralelamente a esforços diplomáticos para transformar compromissos climáticos em ações concretas. A meta é acelerar a implementação de políticas de transição com impactos positivos na saúde e no clima.
Brasil e COP30
O Brasil não apresentou ainda seu roteiro nacional, estando dois meses atrasado em relação ao prazo estabelecido. A presidência brasileira da COP30, sob o embaixador André Corrêa do Lago, recebeu 444 contribuições para dois roteiros internacionais: fim dos fósseis e combate ao desmatamento.
Dessas contribuições, 267 foram voltadas ao plano de transição energética, com participação de países, blocos como a União Europeia e organizações da ONU. Segundo Corrêa do Lago, há grande interesse em transformar promessas em planos concretos.
Perspectiva e próximos passos
Especialistas enfatizam que a transição energética já está em curso e necessita de políticas públicas que acelerem a saída dos fósseis sem ampliar desigualdades. Os documentos finais devem ser apresentados antes da COP31, em novembro, na Turquia.
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