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Perda de florestas tropicais recua em 2025 após recorde, aponta relatório

Desmatamento de florestas tropicais caiu 36% em 2025, para 4,3 milhões de hectares, mas expansão agrícola mantém pressão e metas de 2030 seguem desafiadas

Cenas da Amazônia. Por do sol no Rio Negro floresta amazônica amazonas rio mata verde — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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  • Em 2025, a perda de floresta tropical intocada foi de 4,3 milhões de hectares, queda de 36% em relação a 2024.
  • O Brasil teve papel significativo na redução, após promessas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao assumir o governo em 2023.
  • Mesmo assim, os países desmataram 70% a mais do que o necessário para cumprir o compromisso de interromper e reverter a perda até 2030.
  • A expansão agrícola continua como principal motor do desmatamento, especialmente no Brasil, Bolívia e Indonésia, com a Indonésia registrando aumento ligado ao programa de expansão de produção de alimentos do governo de Prabowo Subianto.
  • A perda global fora das florestas tropicais caiu 14% no ano, mas incêndios e secas continuam ameaçando ecossistemas, com Canadá registrando uma das piores temporadas de incêndios e as florestas boreais queimando mais nos últimos três anos.

O mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de floresta tropical intocada em 2025, uma queda de 36% em relação a 2024. A redução ocorreu principalmente devido a políticas brasileiras que visam frear o desmatamento, conforme anunciado pelo governo desde o início de 2023.

O relatório, elaborado pelo World Resources Institute e pela Universidade de Maryland e divulgado pelo Global Forest Watch, aponta que o Brasil teve papel decisivo nessa melhora, ainda que os demais países continuem pressionados pela expansão agrícola. Em termos globais, contudo, as nações desmatam 70% a mais do que o necessário para cumprir compromissos assumidos em 2023 para interromper e reverter a perda de florestas até 2030.

A agricultura continua como principal motor da derrubada, com impactos concentrados no Brasil, Bolívia e Indonésia, além de pressões em áreas de subsistência na República Democrática do Congo. Países produtores de óleo de palma, como Indonésia e Malásia, mantêm políticas que limitam a recuperação de áreas degradadas, apesar de avanços locais. A ampliação da produção de alimentos tem contribuído para o desmatamento em várias regiões.

No caso da Indonésia, o programa de expansão de produção de alimentos, promovido pelo governo, ajudou a elevar o desmatamento no ano passado, segundo o relatório. Grupos ambientais alertam para impactos de políticas que interromperam acordos que impediam a compra de soja de fazendas recém-desmatadas na Amazônia, perspectiva que pode se repetir no Brasil nos próximos anos.

Florestas do norte tiveram menor ritmo de desmatamento global, mas o conjunto de ecossistemas fora dos trópicos também registrou queda de 14% na perda de cobertura. Ainda assim, evidências de aquecimento global associadas a incêndios e secas persistem, com consequências para os sumidouros de carbono. No Canadá, a temporada de incêndios registrou recordes, e a queima de floresta boreal aumentou nos últimos três anos em relação à média dos 20 anos anteriores.

O relatório cita rod Taylor, diretor global de florestas do WRI, ao afirmar que as florestas continuam grandes sumidouros de carbono, mas incêndios e secas associadas ao aquecimento elevam seu potencial emissor. A atuação internacional segue essencial para manter os ganhos observados em 2025 e evitar retrocessos no combate ao desmatamento.

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