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Quase 3 em 4 áreas marinhas protegidas afetadas por poluição de esgoto

Poluição por águas residuais eleva nitrogênio dentro de áreas marinhas protegidas, questionando a eficácia do planejamento e exigindo gestão integrada terra-mar

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  • Aproximadamente 75% das áreas marinhas protegidas (MPAs) estão expostas à poluição por nitrogênio de esgoto e runoff agrícola, afetando mais de 12.000 MPAs ao redor do mundo.
  • A poluição dentro das MPAs é, em muitos casos, até 10 vezes maior do que em áreas costeiras não protegidas próximas.
  • As regiões onde isso ocorreu com mais intensidade incluem Caribe e Bahamas, Oriente Médio e Norte da África, Triângulo de Coral no Pacífico Ocidental e Oceano Índico.
  • Em regiões como África Oriental e Oriente Médio/Norte da África, cerca de 60% das MPAs apresentam cargas de nitrogênio acima da mediana global.
  • Os autores dizem que a poluição de água não tem sido integrada de forma adequada ao planejamento marinho, destacando a necessidade de colocar a qualidade da água no centro das estratégias de conservação.

O estudo publicado na revista Ocean & Coastal Management aponta que a poluição por águas residuais é mais alta dentro de muitas áreas marinhas protegidas (AMPs) do que em zonas próximas sem proteção. A pesquisa revela que quase três quartos das AMPs, mais de 12 mil em todo o mundo, estão expostas à poluição por nitrogênio proveniente de esgoto e runoff agrícola.

Os pesquisadores modelaram a exposição ao nitrogênio nas AMPs globalmente, analisando áreas até 50 quilômetros da costa em seis regiões tropicais com alta biodiversidade. A mediana da poluição ficou até 10 vezes maior dentro das AMPs em quatro dessas regiões.

Entre os locais com maior incremento, destacam-se o Caribe e as Bahamas, o Oriente Médio e Norte da África, o Triângulo de Coral no Pacífico Ocidental e o Oceano Índico. Em áreas como África Oriental e MENA, cerca de 60% das AMPs enfrentam cargas de nitrogênio acima da mediana global.

A pesquisadora Amelia Wenger, coautora do estudo e especialista da Universidade de Queensland, alerta que a gestão espacial marinha não integra de forma sistemática as informações sobre poluição. Ela ressalta que o vínculo entre terra e mar é profundo, porém mal operacionalizado.

Jasmine Fournier, diretora executiva da Ocean Sewage Alliance, comenta que muitas AMP foram demarcadas apenas no mapa sem considerar a poluição terrestre. Ela afirma que a poluição por águas residuais compromete a efetividade das áreas protegidas, ligando o tema à meta 30×30 da ONU, que visa 30% de proteção até 2030.

O estudo utiliza modelagem geoespacial de exposição ao nitrogênio para estimar impactos. Embora reconheça limitações, como não distinguir fontes de nitrogênio, os autores consideram a pesquisa um passo inicial para que políticas públicas foquem mais na qualidade da água ao desenhar AMPs.

Definidos como ferramenta de conservação, os indicadores de qualidade da água costumam ficar à margem de estratégias de proteção marinha, aponta Guilherme Longo, ecologista marinho. Ele sugere que mais estudos locais sejam feitos para confirmar as fontes da poluição e orientar mitigações eficazes.

A água residual envolve esgoto doméstico e industrial, drenagem urbana e runoff agrícola. Globalmente, cerca de 80% desse material é despejado em rios e estuários sem tratamento adequado, segundo estudos da ONU. Nutrientes altos alimentam algas nocivas e reduzem oxigênio nos ambientes marinhos.

A governança da água é citada como falha comum. Segundo Mehrnaz Ghojeh, líder de soluções climáticas, muitas estruturas administrativas não compartilham dados nem recursos, dificultando ações coordenadas que liguem poluição ao estado das AMPs.

Casos práticos, como Roatán, em Honduras, mostram que investimentos em tratamento de esgoto reduzem significativamente a contaminação. Em Roatán, 99% das residências passaram a receber tratamento, gerando queda de 95% nas bactérias fecais após sete anos.

O texto também aponta soluções tecnológicas, como a reaproveitamento de águas residuais em Singapura (NEWater), que trata e devolve água limpa para consumo humano, servindo cerca de 40% da população da cidade-estado. O modelo demonstra viabilidade de infraestrutura e eficiência.

No debate público, a defesa por acordos globais é destacada. A Ocean Sewage Alliance tem pressionado a ONU por um tratado internacional sobre saneamento, com padrões de água e financiamento para países em desenvolvimento. A ideia é ampliar parcerias entre setores e países.

Por fim, o estudo sustenta que manter normas de qualidade da água no centro da gestão marinha é essencial. Sem água limpa, avaliações de recuperação de ecossistemas ficam limitadas, e a proteção de AMP pode se tornar insuficiente frente à poluição difusa.

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