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4 cm de cimento sobre tela metálica criam lajes curvas que desafiam a gravidade

Ferrocimento permite lajes curvas de 12 mm a 50 mm, com resistência à compressão de 25 a 45 MPa, distribuindo cargas pela superfície e reduzindo pilares internos

Construir lajes curvas seguras sem usar blocos espessos de cimento parecia uma tarefa impossível para a engenharia clássica
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  • Técnica centenária chamada ferrocimento usa tela de arame coberta por argamassa de cimento, permitindo lajes curvas sem pilares internos.
  • A casca de cimento tem espessura entre 12 e 50 milímetros; resistência à flexão de 10 a 25 MPa e resistência à compressão de 25 a 45 MPa.
  • A geometria curva distribui as cargas pela superfície, gerando forças de compressão e eliminando a necessidade de vigas transversais.
  • Félix Candela popularizou a abordagem, com mais de 300 obras no México, incluindo o Restaurante Los Manantiales, inaugurado em 1958, com cascas de cerca de 4 centímetros.
  • O método reduz o uso de fôrmas pesadas, utiliza a própria malha como molde e exige cura úmida de 7 a 14 dias para a estrutura.

O que parece impossível hoje já está em evidência na arquitetura contemporânea: lajes curvas com apenas 4 centímetros de cimento sobre tela metálica, sem pilares internos. A técnica transforma a curva da laje em força de sustentação, ampliando resistência a tremores.

A prática, conhecida como ferrocimento, usa uma rede de arame fina coberta por argamassa segura. Ela distribui o peso pela superfície, eliminando a necessidade de vigas centrais, especialmente em cúpulas e cascas fluidas. O método reduz peso e ganho estético.

A técnica ganha corpo com a visão de Félix Candela, que no México projetou mais de 300 obras com paraboloides hiperbólicos. Ele mostrou como moldes simples em madeira podem sustentar vãos amplos com uma espessura de apenas 4 cm.

Estrutura, dosagem e materiais

Calculistas seguem padrões rigorosos para alcançar flexibilidade e segurança. A resistência à flexão fica entre 10 e 25 MPa, com espessuras de 12 a 50 mm na cobertura. O conjunto utiliza fios de aço de 0,5 a 1,5 mm em até oito camadas.

A argamassa hidráulica tem proporção exata de areia fina, de 1:1,5 a 1:2, sem brita, e o cobrimento externo varia entre 2 e 5 mm para proteção contra oxidação. A resistência final de compressão fica entre 25 e 45 MPa.

Processo de moldagem e cura

O método elimina grandes fôrmas de madeira. A rede atua como molde autoportante, permitindo erguer estruturas em locais de acesso difícil. Passos incluem moldagem de esqueleto, costura das telas, aplicação de massa de ambos os lados e cura úmida de 7 a 14 dias.

A montagem é orientada por uma sequência rígida para manter simetria e espessura. O cuidado na cura evita fissuras descontroladas e garante estabilidade da peça final ao longo do tempo.

Desempenho sísmico e durabilidade

Testes simulam abalos de 1g para verificar a dissipação de tensões. A parede de malha fina absorve vibração e se deforma sem ruptura súbita, diferentemente de pilares rígidos. A literatura científica destaca a importância de proteção anticorrosiva na camada externa.

Ambientes litorâneos exigem proteção adicional. Um mapeamento estrutural e a espessura adequada da camada cimentícia são determinantes para a longevidade da construção.

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